"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." Clarice Lispector
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Brinde a sorte da outra na primeira troca
Na revolta do amanhecer, sem cais
Pesque de volta que o anzol te levou
De volta, mas amou
Se sabe da tristeza, encare a sutileza e transborda.
Sorte é não manter o preço do seu medo
Claro que viver também tem seu enredo
E se algo de fato tende a ser segredo
Deixa o escuro dentro de amanhã
Dentro da manhã
Amanhã será de novo um novo dia
Espera e encontra a pressa da rebeldia
Encontra de lado a formula, sabedoria
Mantém quem te faz refém dessa letargia
Melancolia vem pra quem teve medo
Não se sujar é não usar o brinquedo
Mira na morte e foca no desapego
Se eu te perder encontro outro aconchego.
É Par.
Paraliso com a ação
Paralisada pelo caos de paralisar
Pára, alisa, revolve a canção
Pare e pense na precisão
Por alisar meu ser
Por manter-me além
Da paralisação, do não
Mantem tudo o que está
Paralisa pra continuar
Mantém a paralisação
Para manter na manutenção
De paralisar sem pressa de chegar
Sem medo de parafrasear
Paralisado parafraseando o andar
Andar de cima de quem não tem chão
Andar de salto no furação
Ondas de volta que me convém
Onde a revolta me faz refém
Pára e avisa pra mais alguém
Se é pra rir do novo nascer
Não sei só ir e empobrecer.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Por ti faria?
E patifaria? Por ti faria?
Se for pra ti é menos feio?
Se fizesse, por outro, seria?
Ser patife lhe conveio.
O que por ti faria, que por outro não serviria?
Tua ética é ligada ao meio?
Pesou teu ego na refinaria
E o distribui através de sorteio
Não entendeu que é covardia
Repetir um erro apontando o alheio?
O que justifica essa antinomia
Reveja as ideias, coloque recheio.
Não me diga de filosofia
Se nenhuma delas tem mínimo asseio
Dê uma limpada na tapeçaria
Acorda, olha em volta, evite o enleio
“Jeitinho brasileiro” não é categoria
Mostre a que veio,
Mostre, se veio.
Esse ser transparente que vos fala.
Hoje estou de dieta evitando os doces
Analisando o amargo que as coisas podem ter
E pensando que as vezes não ter sal é um problema
Já que, em uma sociedade uma pessoa sem sal não é interessante
Resolvi escolher outro sabor pra mim
Não consigo ser amarga
O sal retém liquido
Não posso mais com os doces, como já disse.
Ser azedo as vezes é intrigante, mas o tempo todo me dá naúseas,
Principalmente depois da úlcera que adquiri no ano passado.
Ser sem gosto é uma opção.
Serei água, então. Insipida, Incolor e Inodora.
Mas me sentirei uma lição de casa da 3ª série do ensino fundamental
E gostaria de ser matéria de doutorado.
Alguém pode, por favor, inventar algum novo sabor?
Que não dê náuseas, não retenha líquido, não enjoe e nem seja
intragável?
Resolvi a partir disso mudar de cor, já que não posso com os sabores.
Soneto do Privilégio
Não percebo dentre os índios esse peso
Mas em tribo há mais horror que alicerce
O seu grupo socialmente prevalece?
Ou despiu-se, se calou, saiu ileso?
Pertencer a uma classe é privilégio
Ser em regra a exceção também é vício
O soneto então se torna um sacrifício
Revolver ao obscuro é sortilégio
E tão torta quanto à moura na beirada
A mulher só é ouvida quando há grito
Esquivando-se do ódio da discórdia
Repetindo ou se tornando uma prosódia
Não consegue se livrar daquele rito
Explodindo de entender sem saber nada.

Como posso eu em delirio servir ao divino
Olhando em seus olhos me sinto um verdadeiro algoz
Queria esquecer, me mudar e fugir do destino
Mas vejo o quanto o amor escraviza e me engole feroz
Se hoje a roda me afortuna
Amanhã pode ser a sua vez
Se o sorriso do amado te importuna
Também recordo a dor que ele me fez
Queria te falar que a culpa não foi minha
Nem condeno seu rosto por também amar
No amor, só me sinto sua vizinha
E te vejo no direito de se machucar
Mas entenda o meu lado pecador
Minha fronte que seca de vergonha
Me desculpe a lamúria, não há dor
Essa face que de amar, se fez risonha
Eu entendo que agora não me aceita
Tenho, em mim, o poder de suportar
Mas chorar no colchão que ele se deita
É injusto para quem teve que esperar
E já disse e repito sem ter medo
Que no fundo nunca sei o que vai vir
Mas queria confessar-lhe esse segredo
Não me sinto em poder de competir
Se aceito ser feliz como um brinquedo
Também não vou te impedir de reagir
Somos mesmo as mais unidas pelo medo
Esse medo de perder, dele fugir.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Mostrar
Morrer mantendo mantras
Mentir momentaneamente
Maquinar misturas
Mirar meios modernos
Mimar mascotes
Me mostrar modesta
Mudar minhas maneiras
Me melhorar
Mascarar mistérios
Melindrar modas mesquinhas
Mostrar-me maternal
Maniqueizar matérias
Momento moléstia madura
Momento mistura mental
Momento meu.
Morrer mantendo mantras
Mentir momentaneamente
Maquinar misturas
Mirar meios modernos
Mimar mascotes
Me mostrar modesta
Mudar minhas maneiras
Me melhorar
Mascarar mistérios
Melindrar modas mesquinhas
Mostrar-me maternal
Maniqueizar matérias
Momento moléstia madura
Momento mistura mental
Momento meu.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Manifesto aos homens
Manifesto aos homens de má vontade
Ter boa vontade é afinal uma qualidade ou um defeito?
Preguiça é pecado capital.
O capital só gira sem preguiça.
Quem tem o capital no país não trabalha.
Quem trabalha tem preguiça.
Ter má vontade é afinal uma qualidade ou um defeito?
Manifesto aos homens de boa vontade
Avareza é pecado capital
O capital só gira com os Avarentos
Quem tem o capital no país tem avareza.
Quem não trabalha não tem boa vontade
Quem tem boa vontade é Avarento.
Manifesto aos homens avarentos de má vontade.
Preguiça e avareza não combinam
Politicos não podem ser preguiçosos
Políticos não podem ser avarentos
Politicos não podem ter má vontade.
Manifesto aos políticos de boa vontade.
Manifesto aos políticos que ainda não conhecemos.
Sendo.
Busco em mim mil coisas
Que usualmente acho e as vezes dispenso
Sofro por ver injurias
Mas quando levanto a voz o clima fica tenso
Sou um pouco de mim e um pouco de tudo
Acho errado se contradizer
As vezes há tanto a falar, fico mudo
Mas o fato é que eu nunca soube ser
Na arte sou o palhaço,
O bobo da corte do reino
Se me entendem eu disfarço
Disfaço na hora do treino
Por ser feliz não me levam a sério
Levo pesando nas costas o carma
Sorrir pra mim é um império
Mas para os outros é uma arma
É simbolo inexcrupuloso de adultério
Aos olhos do dominador que se alarma
Vivo com a sombrinha na mão
Esperando uma corda pra cair
Não sei viver sem comunhão
Nem me ensinaram a reagir
Sou o mais fácil de enganar
E ponho a mão no fogo sem medo
Por isso, vivo sempre a queimar
As mãos, os olhos, e o coração desde cedo
De tanta alma só tenho "sido"
Visão contrária a do Fernando
Por doer tanto, ter nascido
Sempre a questão que vivo levando
" o que há de ocorrer comigo?"
A mesma solidão me esmagando.
Sou fadado ao desapego,
É dificil me suportar
Amo tudo e ninguém é isento
Mas é triste com tanto sossego,
Alguém querer me controlar
Viver no egoísmo de um ser ciumento
Proteger o outro, querer aconchego
E ainda assim precisar se anular?
É preciso
É necessário
É vizível
É arbitrário
É isso
É aquilo
É espetáculo
É calvário
Sou
Isso
É.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Ciranda.
Seu olho é inexplicável, indizível.
De medo você sempre corre léguas
Nem sequer entende o inexprimível
Não preserva, não olha e nem dá tréguas.
Seus sonhos são quase todos meus
Ainda que minta na minha frente
Você não é santo e nem é Deus
Eu sei que no fim só eu fui crente
Você é estranho aos olhos alheios
Não perde o seu tempo com malicias
Controla nos dedos os meus seios
Evito sentir outras caricias
Prefiro manter os meus bloqueios
A sofrer por angústias fictícias
E ainda preservo firmemente
Esse mesmo carinho inconstante
De quem bate, apanha, mas não mente.
Ao olhar pr'um antigo amor, distante.
É sempre gostoso ver o espelho
Olhar, sorrir, mandar embora.
Não ouço, nem quero ouvir conselho.
A arte é sublime e me ignora
Então sinto de novo esse aparelho
Mas enfim, meu sorriso não mais chora.
O anel que tú me destes não valia um real
O amor que tú me tinhas era muito jovial.
Ciranda, cirandinha, é melhor não desgastar?
Olho para trás e digo: Tão gostoso gargalhar!
Eu pensei que acabaria, mas agora vem o fim
Onde você estiver, regue o sorriso de serafim.
E se você me encontrar deite seus olhos em cima de mim.
Ah, se tiver que acabar eu prefiro que seja assim.
Mais um
Perde de volta quem é contra
Encontra na rota de partida
Parida que passa não remonta
Remota no momento, despedida
Depende de quem sofre por um fado
Fada do desegano, sem lamento
Ela mente na frente de um amigo
Antigo erro que lhe supre
Super aquecida na mentira
Metia muito medo por dentro
Antro de quem vive na masmorra
Mas morre se não canta um sofrimento
Firme no sorriso do mendigo
E digo sem encanto na saída
Falida de dinheiro mas sorrindo
Só indo a mais um copo e um cigarro
Agarro meus pecados mais sublimes
Limito meus problemas ao amado
A modo que ele me fuja sem rancores
Das dores que um dia sem cuidado
Doado aos antigos os amores
Horrores e angustias do passado
Amado de novo mas sem medo
Seu dedo me passava mais ternura
A cura de seu vicio indizível
Incrível, fez em mim mais um segredo.
D10-caso
Dono da dança
Denúncia de Discórdia
Dia dos divórcios
Doença demasiada das "donas"
Desta distância desnorteante
Desmedida de dor
Diante da doçura
Dos dados do destino
Deste desejado delator
Das dúvidas discrepantes
Doarei de dentro desta dívida
Dividida diante da dureza
Dar demais
Dinamite
Doer diferente
Dormir de dois
Descansar
Desista do drama
Dispense dispersões
Desculpas descalculadas
Delirar depois da doutrina
Dizendo dadaísmos depois das doses
Deixe de dar dicas desentendidas
Desprendido do dilema deste dizere
Desejo demasiado delirante, dispersa.
Desata diante dos desinteresses
Deixe de dificuldades
Divida.
Divida.
R-mediável
Resolver sem medo de redigir
Redator sem foice de retração
Religar sem meta de repetir
Receber sem conta de redução
Reparar sem saco de reemitir
Rosnar sem soma de remoção
Repensar sem pranto de ruir
Ratear sem letra de redação
Rastejar sem gosto de reprimir
Ruminar sem cheiro de ração
Rotular sem graça de revestir
Restaurar sem pressa de rotação
Regrar sem morte de repartir
Requerer sem palco de representação
Radar sem luar de reagir
Romancear sem canto de rabecão
Respirar sem risco de resistir
Respirar sem risco de radiação
Respirar sem risco
Respirar
Re-pirar
Ar.
Ar.
Ensaio Wi-fi sobre a paranóia. Ou seria Haikai?
Paródia
Paranóia
Discórdia
Fazer paródia de paranóico causa discordia
Discordar de paranóico é fazer paródia dele
Ser paranóico é achar que uma paródia causa discórdia.
Há discordancia da maioria quando se é paranóico
Há discordancia da maioria quando se faz paródia das coisas.
O dono da paródia é o dono da paranóia invertida.
Torna normal aquilo que ele mesmo critíca.
Discordar de mim nesse momento me tornaria uma pessoa paranóica
Ainda que eu não esteja fazendo paródia de nada.
Óh pedaço de Chico.
Óh metade afastada de mim
Me cativa na hora do caos
Me devora do meio pro fim
óh metade criada no Laos
Me ensina ser ásia ou menor
óh metade amputada do seu
Me perturba, e aperta o meu nó
Não espere de Édipo, tristeza
Nem tristão, sorrindo sendo só
Não encontre no Thor a nobreza
Nem beleza que se vê no Faraó
Óh metade inexplicada que me toma
Óh pedaço da história que não vivo
Óh vontade de atracar no cais que soma
Óh mediocre existir em tom passivo
Lava o vulto que sumiu
Que o Chico é o andar de um pássaro
Que aos poucos recebe o píncaro
E percebe que não caiu
Óh melhor tropicália
Óh cortar de navália
É sempre navália na carne
Óh nelson do escarne
Onde acho a tragédia?
Qual é a melhor história?
Com quem devo fazer média
Qual é o dono da memória
Shiva é braço pra "pôr" rédia
óh cleopatra das noites de glória
A saudade é o revés de um parto
Partir para quem não sabe.
É saudade, se trancar no quarto,
E falar do que não me cabe?
óh pedaço em putrefação
óh invisibilidade do eu
Em raspar, sem dó de Sansão
o cabelo que me ofereceu
Óh, Jesus, Maria e José
Óh Jácó, Buda e Maomé
Onde está a metade de mim?
O todo sem a parte é todo ou parte?
Perguntas a parte, prefiro sorrir.
Sorrir para ponderar.
Sorrir para pendurar.
Sorrir para perdurar.
Sorrir para ir
Só Ir.
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