domingo, 25 de fevereiro de 2018

Citação Portuguesa (ou Ferrando a Pessoa da Poesia e o Poeta)

O poeta é frigideira
Queima tão completamente
Que chega sentir ardor
Na fogueira da sua mente
O poeta é desalmado
Inventa muita besteira
Foi beber no feriado
E depois de tanta canseira
Vive a espirrar deitado
No carpete sem poeira
O poeta é um demente
Gosta de falar a esmo
E acompanha a água ardente
Com um prato de torresmo
O poeta é um diletante
E sempre gostou do ócio
Com seus livros na estante
Do solstício ao equinócio
O poeta é um vencedor
Perde tanto nessa vida
Que se vê superior
Por sofrer na despedida
O poeta é um vendedor
Vende tanta coisa inútil
Que faz parecer que é dor
O que na verdade é fútil
O poeta é um romântico
Mente insistentemente
E decorou um cântico
Pra demonstrar que sente.
O poeta é uma armadura
E quer ser inteligente
Pra mostrar que tem cultura
Cita poema existente
O poeta é um aprendiz
Mas também sofre calado
E nunca abandona o que diz
Na sexta-feira ou feriado
O poeta é um domador
Dos leões da sua alma
Se encontrou o grande amor
Precisa manter a calma
O poeta é instigante
Quase nunca o entendi
Feito pena flutuante
Cria histórias sobre si.

Você teme eu não te querer mais
Vou te dizer o que estou sentindo
Tenho sentido o mesmo que você
Só estou me abrindo.
Você teme eu não te querer mais
Quer saber? Se entenda.
O que sentimos é sempre recíproco ou então é lenda.
E toda fábula ou lenda acaba de um jeito ou de outro com um ensinamento.
De que se a paixão não tem recíproca é porque foi tesão de momento.
Você pertence ao meu país
Volta e cumpra o que me disse
Estou virando uma raiz
Seria forte se me visse
Você parece com um sonho
De amor em outra língua
E no amor sempre me ponho
A esperar sonhando à míngua
Você parece de cinema
É chorinho, música e poema
E se tornou meu melhor tema
Não me coloque em mais problema
Foi o sorriso exato
Foi o dia certeiro
Foi a olho nu
For you

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Você consegue mesmo o que quer
Parabéns por ter conseguido (Mentira!)
Já nem penso em ser sua mulher
Nosso amor foi perdido (Ciumenta!)
Me esforcei pra tentar te encontrar
E você não colabora (Aguenta!)
Achei que fosse capaz de amar
Mas com o tempo piora (Não Pira!)
Não pensei que fosse me ser fiel
Pois não temos nada (hm...superior!)
Mas essa foto com outra é cruel
E ainda dando risada (Deixa o menino!)
A gente poderia ter sido discreto
E tocar nossa vida (ah, quanto amor!)
Se vivemos longe já temos certo
A hora da despedida (Que hino!)
Não precisamos mais ser crianças
A gente já é bem grandinho (Passiva agressiva!)
E a partir de hoje as lembranças
Não guardarei com carinho. (Ofendida na defensiva!)

Me suicidei mentalmente
De três jeitos diferentes
Não vou ser incoerente
Sofrem muitos inocentes
Mas me matei mentalmente
Só pra ver como seria
Essa terra inocente
Sem a minha covardia
Tirei minha vida mentalmente
Só pelo grande cansaço
Mas como sou muito crente
Por ter respeito eu não faço
Me defenestrei mentalmente
Me joguei da janela
Mas me lembrei do inteligente
Feliz que vive na favela.
Atirei em mim mentalmente
Mas fiquei com saudade
De casa, família e de gente
Não sou capaz de maldade
Tomei umas pílulas mentalmente
Só por pura ironia
Sem identidade, indigente
Como lição ou por picardia.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Não sou de postar trabalho alheio, mas me senti representada. Verdades sobre  os dias de cão. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Você já está com uma situação entalada
E alguém te humilha até dar taquicardia
Você está sozinha e resolve curtir na balada
Vem uma pessoa bêbada e te chama de vadia
Você não entende mas sofre calada
Vem uma pessoa e diz que essa não é uma atitude sadia
O mundo está te deixando entediada
E um sujeito discorre sobre sua rebeldia
Você está engordando e pede uma salada
Vem com vinagre e te deixa com azia
Você está com medo de nunca ser amada
Mas se envolve com um cara que não te liga no outro dia
Você percebe que anda muito cansada
Mas todos entendem como se estivesse arredia
E se desistiu de agradar e não liga mais pra nada
Vira assunto por excesso de ousadia.
Subo nesse palco
Minha alma cheira a naftalina
Minha boca cheira a álcool
Só aguenta quem beber
Com omelete de clara
Só quem mantiver a forma
No mercado tem valor
Mesmo não tendo sabor
Desemprego e se sujeitar
A ouvir outro te espezinhar
Estou prestes a sucumbir
Mas não tenho pra onde fugir
Sem projeto pra trabalhar
E no teste ninguém vai passar
Sem dinheiro pra existir
Mais um artista sem ter pr'onde ir.

Os seus valores só serão reconhecidos se você tiver algum valor em espécie. Repasse! Ou melhor, repense!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O que me dói é seu lindo sorriso tão longe de mim e igual
O que me dói são os seus amigos nesse lugar que mal conheço
O que me dói é que nunca fomos, de fato, um casal
O que me dói são esses olhos tão puros que eu enlouqueço
O que me dói é você querer manter essa fama de mau
O que me dói são suas palavras tão doces que eu não mereço
O que me dói é você não ter me visto nesse natal
O que me dói são os sentimentos que tímida não transpareço
O que me dói é você não priorizar e me encher de rival
O que me dói são esses joguinhos que tonta desconheço
O que me dói é você não me dar logo um aval
E de tanta desatenção eu saber que muito em breve eu te esqueço.

Cinzas (ou De outros Carnavais)

Faz um dia que não te quero mais
Prioridade é valor importante
Vinte e quatro horas não é demais
Mas pra mim é um passo gigante
Parei de nos ver em outros casais
Estou descartando o restante
Dos cacos que catei como cristais
E coloquei na estante
No corpo estão suas digitais
Vou ter que lavar bastante
Te lembrarei em outros Carnavais
Com um olhar bem distante
E se nos virmos seremos cordiais
E isso será torturante
Se nos fizermos perguntas banais
Contigo serei tolerante
Porque em meio a papos triviais
Me mostrarei instigante
E diante de ideias paradoxais
Me lembrará como amante
Em pensamentos pouco morais
E de olhar penetrante
Mas como em todas as relações sociais
Terminará o instante
E nos despediremos naturais
Porque você se garante.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Karma Coletivo

Por um "carna" vale?
Vale se expor assim
Mesmo que tenha um fim
Vale se violentar
Só para se enturmar
Por um "carna" vale?
Todo esse desapego
Esse desassossego
Vale pelo prazer
Ou vale pra ir beber?
Por um "carna" vale?
A sensação de rejeição
E aquelas penas de pavão
Vale o sufoco no banheiro
E o seu dinheiro do ano inteiro
Por um "carna" vale?
A quantidade de purpurina
E aquele cheiro de urina
Ainda que faça sujeira
Porque não chegou quarta-feira
Por um "carna" vale?
Essa dor na lombar
Só pra depois se gabar
Esse sorriso forçado
Mesmo estando cansado
Por um "carna" vale?
O som ensurdecedor
E ouvir aquele cantor
Vale a ressaca moral
O desperdício emocional
Por um "carna" vale?
Aquela dor de cabeça depois
E o taxi na bandeira dois
Modelos posando pra revista
E tapando sua única vista
Por um "carna" vale?
O salto quebrado
O cabelo amassado
Vale o sufoco
De quase levar um soco
Por pisar no pé daquela dona
E esperar por um moço
Que te pediu carona
Por um "karma" vale?
Chegar no fundo do poço
Cometer o equívoco
De fazer essa maratona
Se é carnal vale?
Você dá esse aval?
Afinal, é  mesmo carnaval.