quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Já é retrato de um passado meu
Já é recado de um futuro venho
Já é resumo de um instante tal
Ja é relato de um momento sonho

Já é restante de um não que excita
Já é respiro de mão eremita
Já é retiro de oração que evita
Já é registro de paixão bendita


Já é recusa de sentir na hora
Já é reparo de viver o agora
Já é rendido se ninguém implora
Já é real se ninguém namora
Já é ré.
Já é.

Ele é e sempre foi
Esteve sempre ali
E então me disse: oi
E acostumada, eu sorri
Mas depois, tudo mudou
Me olhou tão diferente
E a gente se beijou
E agora a gente sente.
Sinto muito, não queria.
Sei que não deveria.
A gente vive tão distante
De pensar já dá azia.
Mas tenho estado contente.
E chega ser covardia
Não dizer o que se sente
Por meio de poesia
Mas também estou ciente
Que o amor nos distancia
E me torno tão descrente
Sem sabedoria
Me vejo como uma amante
Dessa eterna ironia letal
De quem só ama o instante
E esquece contente
De parecer racional