Venho acumulando “Universo Interior”. Pra quê tanto? Me perguntei. E ninguém respondeu. Nem ECO fazia, o universo. Sendo universo, não tinha fim, nem começo, nem meio. Era contínuo. Sem eco. Estava lá, acumulando o que não percebia. A gente acumula “universo interior” e não sabe em quê usar. E quanto mais a gente tira coisas de lá, quanto mais a gente limpa, mais universo há. O infinito é mesmo interminável. Acumular universo interior tem seu valor. É o que resta quando todo o resto vai embora. Se o universo é interior, ele não está conosco. Quando eu for, de mim, restará só ele. O universo que há pra dentro que a gente não consegue medir e esse outro, pra fora, também chamado universo, que a gente não pode mensurar. A medida de dentro e de fora é igual. Absolutamente igual em todos os seres. Então penso no tamanho do universo somado ao universo de cada universo pessoal. É por isso que a gente acumula universo. Mas, por mais que tente, por mais que queira, não vai conseguir explicar.
"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." Clarice Lispector
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Supetão
A gente ficou noivo de supetão. Mas desde o início a gente é meio “de supetão” mesmo. A gente se renova do nada. A gente se amou do nada e a gente começou a viver juntos do nada. Graças a uma pandemia que aconteceu também “de supetão”. Sempre por obra do acaso. Ou por uma “Jesuscidência” como ele gosta de repetir. Não é à toa que a astrologia nos chama: opostos complementares. Eu acho mesmo que sou uma laranja inteira e ele também. Mas há algo dele que, confesso, não havia na minha laranja. Sabe a música de Alladin do “point of view”? Talvez o dele, fosse um dos únicos pontos de vista que não me fossem absolutamente naturais. Ao mesmo tempo, eu lhe mostro minhas 798 versões diferentes. E ele dá risada, porque eu me importo demais! Ou só por rir mesmo, que é o que a gente faz de melhor. A gente tenta ser sério, mas está sempre se zoando. E a gente ri do outro e de nós mesmos. Acho que é esse o maior ganho! A possibilidade de rir das nossas vicissitudes. Acho que a gente se somou muito até aqui. Mas não creio que seja algo visível, não. Só quem está muito perto vai entender. A gente tenta se ajustar do jeito que é. Eu falo de como minha mente é uma confusão e ele mostra a confusão do dia-a-dia dele. No fundo, a gente reconhece que tudo significa a mesma coisa. Que somos um casal em construção. Não negamos os problemas no caminho: algumas pessoas que não iam com minha cara, uns ex que decidiram mandar mensagens, nossos corações levemente feridos com o passar dos anos. É estranho conhecer seu amor depois dos 20 e tantos. A gente já não tem o frescor das músicas do Belchior... somos soldados feridos, cheios de manias e medos! Mas sabe, lindo? Você é a melhor surpresa da minha vida. E o mundo me ensinou que a gente não pode mesmo ter preconceito com o diferente. No fim das contas, conceitos são só conceitos! E é a essência que conta. Somos opostos. Mas a sua essência, o que a gente constrói juntos, o seu mundo interior, talvez seja o mais próximo de mim, que eu já conheci. E descobri com isso tudo que, sempre há algo que precisa ser descoberto, apurado e que a sociedade define muito mal o que é, de fato, afinidade.
terça-feira, 4 de agosto de 2020
O enunciado
A-Professor, o que é pra fazer ?
P- O senhor sabe ler?
A- Sei.
P- Então o faça.
A- Mas não tem nada aqui.
P- Exato!
A- Me desculpe, professor, mas o senhor está sendo muito subjetivo
P- Obrigado.
A- Acho que não entendeu, não foi um elogio.
P- Importa?
A- Não! Claro que não.
P- Vou te dar um 9.
A- Tudo isso? Mas eu nem comecei.
P- Está indo por um bom caminho.
A- Estou muito confuso.
P- É mesmo?
A- Confesso que não entendi nada.
P- Bravo!!! Bravo, meu rapaz. Eu me precipitei. Sua nota é 10.
A- 10? Obrigado.
P- Hmmm... agora você entendeu ou apenas se conformou?
A- Ainda não entendi, mas fiquei feliz pela nota.
P- E você acha isso certo?
A- Não sei se é certo mas também não é errado, creio eu.
P- Querer um bom resultado é natural, mas você precisa levar em conta o processo.
A- O senhor tem razão. (Após um longo período de reflexão, o aluno volta a perguntar) Afinal, o que é pra fazer?
P- Ah! Fique tranquilo, garoto. A sua nota está intacta.
A- Mas eu gostaria de poder fazer algo.
P- Eu sei que sim. Eu também, amiguinho. Eu também.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Fui me recolher
Sem me resolver
sábado, 28 de março de 2020
Todos dizem que quociente intelectual é intelecto e quociente emocional é inteligência “sentimental”. Balela! É intelectual quem não luta pra sobreviver? Sob a lógica animal o instinto diz que sobrevive quem é fisicamente mais forte. Com os humanos então é diferente? Não é. O fraco fisicamente que sobrevive é o maior dos inteligentes porque sobreviveu com a força de sua mente. Autocontrole é uma arma poderosíssima. Inteligência emocional continua sendo a única forma de se manter vivo, ainda que o QI seja o único aceito pela academia. Então a academia está certa? Não. Em momentos de crise, como esse, é mais forte quem ousa sobreviver. Aos medos, às fake news, às pressões, ao medo de quebrar. Só sobrevive quem é forte o suficiente pra existir em situações adversas. E isso é muito mais do que um livro pode ensinar.
sexta-feira, 27 de março de 2020
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
sem ser ninguém.
Pense no meu mundo.
Depois dos 30, o que resta é ser mudo.
E se eu mudo, já não dá mais tempo.
O tempo me largou no vento,
E solta eu já sei que não serei mais nada.
O que tinha de ser,
Será que já sou?
Se sou, sou fadada a ser calada.
Mal falada.
Rejeitada até morrer.
Sem saber o que eu teria sido.
Se pudesse ser.