Eu sou isso
Um misto real de pureza e seriedade
Um gozo real de candura e serenidade
Uma fusão desnorteada de infantilidade e dureza
Uma pintura irônica de Matisse sobre a realeza
Moram em mim um velho e um santo
Uma negra cheia de Sarda
A que enxerga e a que não vê
Um eunuco e um bebê
Uma fada e uma farda
Um trompete e um canto
Canto é todo lado
Alarde de quem não pára
De rir por ser amado
Chorar por ser feliz
E diz que deixa de lado
Angústia de um aprendiz
Mesmo que esteja errado
Por motivos juvenis
Me visto de cavalo alado
Me enfeito com um penteado
E gotejo uma essência anis
De quem sabe que está calado
Por temer pessoas ardis.