domingo, 25 de novembro de 2018

Não há de ser 

Não há de ser pecado esse amor delicado
Esse beijo gostoso 
O desejo falado 
E a certeza do gozo
Não há de ser 
Não há de ser pecado se estamos juntos 
E nos amamos de verdade 
Nos escolhemos entre muitos 
Sem pensar em liberdade 
Não há de ser 
Não há de ser pecado a oração do corpo 
Esse tesão que é real 
O revelar do tempo 
Que nos mostra carnal 
Não há de ser 
Não há de ser pecado teu carinho forte 
Se mostrou amigo 
Se entrega a sorte 
E eu me torno abrigo 
Porque nesse corte 
Não há mais perigo 
Então me transporte 
Para o seu umbigo
E me dê suporte 
Que eu irei contigo
Nesse movimento 
Que agora é uno 
O meu sentimento 
Quase inoportuno 
É nesse momento 
Que eu me consumo 
Em um ato certo 
Estamos no rumo 
Da nossa maneira de estar mais perto. 




domingo, 4 de novembro de 2018

Me joguei no caos 
E roguei 
Por dias que não fossem mais 
Reais 
Rasguei momentos maus 
E tais 
Sem sal ou algo ardil 
Num cais 
Sutil 
Canais de ondas vis 
Febris rivais 
Em ventos irreais 
O canto
Ouvi 
Jogada nos corais 
Cores 
Do mar
Os sons dos teus sinais
São sós 
Comuns 
Lembrei de ver alguns 
Nervos 
Nadei 
De dia me banhei 
E ri 

Do sol.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Tudo o que acontece 
Tudo o que eu sei 
Tudo o que enobrece 
Em tudo o que errei 
Tudo o que discordo 
Tudo o que me falta 
Tudo o que recordo
E tudo que me salta 
Tudo o que percebo 
Tudo o que é trivial 
Tudo o que eu recebo 
Nem tudo é igual 
Tudo o que muda 
Tudo o que retorna 
Tudo o que me ajuda 
Nem tudo orna 
Tudo o que vejo 
Tudo o que resolvo 
Tudo o que manejo 
Em tudo o que me envolvo
Tudo o que perpetua 
Tudo o que pertence 
Tudo o que compactua 
O tudo que me vence 
Tudo o que me acalma 
Tudo o que me afasta
Tudo o que é minh’alma 
Nem tudo me basta
Tudo que é verdade 
Tudo o que cansei 
Tudo que me invade
Em tudo amei 
Tudo o que parece 
Tudo o que mantém 
Tudo o que enobrece 
Nem tudo me convém 
Mas tudo me esquece 
Se nem tudo me quer bem. 




segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Para um menino com uma Espada (versão   Vinicius revirando no túmulo) 

Porque você é um menino com uma espada e tem uma sotaque indefinido, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar desconfiado e gosta de baba de moça: quero dizer, o doce. Qualquer doce, na verdade. E porque você é um menino com uma espada e chorou na sessão de Cinema porque a estrela do filme seguiu a carreira dela e você ficou morrendo de pena do personagem roqueiro lidando com todo aquele desespero de ser ele sozinho.
E porque você mente que está me passando para trás, acaba com nossas d.erres e insiste em manter um cotidiano que as vezes não me inclui porque não é “o dia certo”, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa pelo meu jeito de te amar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos o motivo de meus términos só pra não fazer parecido. E porque você tem o olho fechadinho e quando está com sono piora, principalmente quando a gente tira foto em frente ao sol, na golden hour como se fossemos plantas, e anda sempre como um bailarino com os pés em un dehors , e faz 33 ironias por segundo mas sem ficar chato. E porque você é um menino com uma espada, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velha: mas só quando eu der uma esquecida do que aconteceu para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menino com uma espada e tem postura de guerreiro medieval; e porque você quando canta  nunca usa a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes eu acordo no meio da noite e fico te olhando feito uma maluca. E porque você quer um cachorrinho pra pegar suas zicas e vai falar mal de mim para ele, e ele vai escutar mas não vai concordar porque ele será muito meu chapa, e porque quando você se sente perdido e sozinho no mundo você se deita e dorme pra se esconder dele e se acorda é pra zoar o fato de eu ser uma boba e sempre fazer um bico deste tamanho quando algo não sai do meu jeito. E porque você é um menino que molha o rosto em momentos inesperados, nunca fica sem assunto e é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é um menino que tem medo de se mostrar e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervoso e vermelho até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menino com uma espada e cativou meu coração e adora sorvete de qualquer marca, eu lhe peço que se sagre meu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você um menino com uma espada, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinha, como nesses dias da semana que você tira “off” de mim mas fica tudo uma rua silenciosa e escura que não daria em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; um vazio tão grande que os homens nem ousariam me olhar porque dariam tudo para ter uma sincericida penando assim por eles, a mão no queixo, a perna cruzada distante e aquele olhar que não vê. E porque você é o único menino com uma espada que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Vista da Lua na Terra", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinho abraçado com o travesseiro cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você me esfria e eu te esquento.
E já que você é um menino com uma espada e eu estou vendo você dormir agora - tão quietinho entre os lençóis da cama - nesse hotel que você já esteve com outra e eu fingi que não ligava pra não perder a razão; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa só de pensar em te perder.

E porque você me levanta para me colocar direito em seu abraço, e o tudo à nossa volta se faz ruído e a gente é por um momento, único no mundo enquanto a noite desce com seus gracejos, suas entranhas, seus desejos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é o filho dileto de todos os homens que eu amei; e que todas os homens que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando os seus louros de imperador supremo da minha alma; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é lindo, porque você me aperta no seu peito e sobretudo porque você é um menino com uma espada. 

domingo, 30 de setembro de 2018

Aberto

No mar aberto
Entregue ao vento
É tão incerto
Este momento

No mar invade
Também sou água
Por mais que arda
Que me carregue

No mar que cega
Esses olhos secos
E que me pega
Os escuros becos

No mar ressaca
Rebentação
Que me ataca
E eu sem reação

No mar salgado
Uma calmaria
Que me invadia
Por todo lado

No mar valente
Com sol a pino
A pele sente
O prazer divino

De estar presente
Em um destino
Inebriante
Mar cristalino

Barco à deriva
Da nossa mente
Fico ciente
De que estou viva.




Tenho andado movida à paixão,
E o que fazer com isso?
Se amo, de fato, não vejo razão
Pra ter mais compromisso
Além das loucuras firmadas com o amado
Num jogo de afeto
Sabendo que mesmo perdendo ou ganhando
O quero por perto
Ao menos enquanto o furor da vontade
Existe aqui dentro
Meu mundo se apaga e sem medo coloca
O amado no centro
Da fogueira calada que arde e insiste
Em queimar no momento
Que o amor avassala e o peito transborda
O novo sentimento.
Vista da Lua na Terra

Minha lua dura e fria
Esvazia o sofrimento
Sua amada covardia
É guardar o meu alento
Minha amada, me inebria
Não me traga esquecimento
Minha amada lua fria
Me congela e eu te esquento
Dura lua me sacia
Mas esconde o que há por dentro
Minha amada lua esfria
E me leva com o vento
Minha lua amada cria
Um modo de estar no centro
Fria lua, me irradia
Com o calor do sentimento.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Não encontro poemas pra você, o mundo está vazio de sentido
Nem musica, melodia ou haikai que pudesse assoprar ao seu ouvido
Não vejo uma maneira de dizer ao mundo como estou me sentindo
Se não sei como dizer que com você, tenho andado nas nuvens e sorrindo
Não me peça para achar algum Camões que exprima o que penso sobre tudo
Entre versos de outrora dos meus gênios, nem Pessoa conseguiu, já não me iludo
Mas peguei um pedacinho de um poema, que há muito não sai da minha mente
Afinal só se vive uma paixão plenamente
Quando o cérebro traduz o que se sente:
"tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño."
Que se traduz como: tão perto que te fecham os olhos, o meu sonho.
E quem sabe se no proximo milênio
Nos encontre na internet, eu suponho
Outro casal que de amar se fez doente
Quando esse poema não mais tiver dono
Poderão se aproveitar do gesto humano,
E irão também gritar o amor da gente.

domingo, 22 de abril de 2018

Ói eu aqui de novo
em mais uma paixão
paixão que não é mais uma
entendi com quem me envolvo
e aprendi uma lição
só beijar como quem clama
quem acende essa chama
por quem eu me comovo
e não é ficção
Sentir saudade de cama
E fazer um melodrama
ou virar um estorvo
nos momentos de tensão
E esse peito se inflama
Quando o toque eu absorvo
Os medos eu absolvo
E esse amor vira fusão
Por sentir como quem ama
Em carinhos me dissolvo
E me resta a emoção
Só me resta o coração

sábado, 14 de abril de 2018

"Decepção
De receber ação
Toda ação corresponde a uma reação de mesma intensidade em sentido nenhum.
Explicação para o prazer de não entender nada e ainda assim sentir
Toda decepção é o resultado de uma ação em sentido contrário ao solvente.
Soluto de reação em cadeira elétrica.
Física e química não combinam.
Química é muito difícil de conseguir.
Física é necessária para a química.
Não sei como passei no colégio!" - #pensamentosdamadrugada.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Citação Portuguesa (ou Ferrando a Pessoa da Poesia e o Poeta)

O poeta é frigideira
Queima tão completamente
Que chega sentir ardor
Na fogueira da sua mente
O poeta é desalmado
Inventa muita besteira
Foi beber no feriado
E depois de tanta canseira
Vive a espirrar deitado
No carpete sem poeira
O poeta é um demente
Gosta de falar a esmo
E acompanha a água ardente
Com um prato de torresmo
O poeta é um diletante
E sempre gostou do ócio
Com seus livros na estante
Do solstício ao equinócio
O poeta é um vencedor
Perde tanto nessa vida
Que se vê superior
Por sofrer na despedida
O poeta é um vendedor
Vende tanta coisa inútil
Que faz parecer que é dor
O que na verdade é fútil
O poeta é um romântico
Mente insistentemente
E decorou um cântico
Pra demonstrar que sente.
O poeta é uma armadura
E quer ser inteligente
Pra mostrar que tem cultura
Cita poema existente
O poeta é um aprendiz
Mas também sofre calado
E nunca abandona o que diz
Na sexta-feira ou feriado
O poeta é um domador
Dos leões da sua alma
Se encontrou o grande amor
Precisa manter a calma
O poeta é instigante
Quase nunca o entendi
Feito pena flutuante
Cria histórias sobre si.

Você teme eu não te querer mais
Vou te dizer o que estou sentindo
Tenho sentido o mesmo que você
Só estou me abrindo.
Você teme eu não te querer mais
Quer saber? Se entenda.
O que sentimos é sempre recíproco ou então é lenda.
E toda fábula ou lenda acaba de um jeito ou de outro com um ensinamento.
De que se a paixão não tem recíproca é porque foi tesão de momento.
Você pertence ao meu país
Volta e cumpra o que me disse
Estou virando uma raiz
Seria forte se me visse
Você parece com um sonho
De amor em outra língua
E no amor sempre me ponho
A esperar sonhando à míngua
Você parece de cinema
É chorinho, música e poema
E se tornou meu melhor tema
Não me coloque em mais problema
Foi o sorriso exato
Foi o dia certeiro
Foi a olho nu
For you

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Você consegue mesmo o que quer
Parabéns por ter conseguido (Mentira!)
Já nem penso em ser sua mulher
Nosso amor foi perdido (Ciumenta!)
Me esforcei pra tentar te encontrar
E você não colabora (Aguenta!)
Achei que fosse capaz de amar
Mas com o tempo piora (Não Pira!)
Não pensei que fosse me ser fiel
Pois não temos nada (hm...superior!)
Mas essa foto com outra é cruel
E ainda dando risada (Deixa o menino!)
A gente poderia ter sido discreto
E tocar nossa vida (ah, quanto amor!)
Se vivemos longe já temos certo
A hora da despedida (Que hino!)
Não precisamos mais ser crianças
A gente já é bem grandinho (Passiva agressiva!)
E a partir de hoje as lembranças
Não guardarei com carinho. (Ofendida na defensiva!)

Me suicidei mentalmente
De três jeitos diferentes
Não vou ser incoerente
Sofrem muitos inocentes
Mas me matei mentalmente
Só pra ver como seria
Essa terra inocente
Sem a minha covardia
Tirei minha vida mentalmente
Só pelo grande cansaço
Mas como sou muito crente
Por ter respeito eu não faço
Me defenestrei mentalmente
Me joguei da janela
Mas me lembrei do inteligente
Feliz que vive na favela.
Atirei em mim mentalmente
Mas fiquei com saudade
De casa, família e de gente
Não sou capaz de maldade
Tomei umas pílulas mentalmente
Só por pura ironia
Sem identidade, indigente
Como lição ou por picardia.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Não sou de postar trabalho alheio, mas me senti representada. Verdades sobre  os dias de cão. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Você já está com uma situação entalada
E alguém te humilha até dar taquicardia
Você está sozinha e resolve curtir na balada
Vem uma pessoa bêbada e te chama de vadia
Você não entende mas sofre calada
Vem uma pessoa e diz que essa não é uma atitude sadia
O mundo está te deixando entediada
E um sujeito discorre sobre sua rebeldia
Você está engordando e pede uma salada
Vem com vinagre e te deixa com azia
Você está com medo de nunca ser amada
Mas se envolve com um cara que não te liga no outro dia
Você percebe que anda muito cansada
Mas todos entendem como se estivesse arredia
E se desistiu de agradar e não liga mais pra nada
Vira assunto por excesso de ousadia.
Subo nesse palco
Minha alma cheira a naftalina
Minha boca cheira a álcool
Só aguenta quem beber
Com omelete de clara
Só quem mantiver a forma
No mercado tem valor
Mesmo não tendo sabor
Desemprego e se sujeitar
A ouvir outro te espezinhar
Estou prestes a sucumbir
Mas não tenho pra onde fugir
Sem projeto pra trabalhar
E no teste ninguém vai passar
Sem dinheiro pra existir
Mais um artista sem ter pr'onde ir.

Os seus valores só serão reconhecidos se você tiver algum valor em espécie. Repasse! Ou melhor, repense!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O que me dói é seu lindo sorriso tão longe de mim e igual
O que me dói são os seus amigos nesse lugar que mal conheço
O que me dói é que nunca fomos, de fato, um casal
O que me dói são esses olhos tão puros que eu enlouqueço
O que me dói é você querer manter essa fama de mau
O que me dói são suas palavras tão doces que eu não mereço
O que me dói é você não ter me visto nesse natal
O que me dói são os sentimentos que tímida não transpareço
O que me dói é você não priorizar e me encher de rival
O que me dói são esses joguinhos que tonta desconheço
O que me dói é você não me dar logo um aval
E de tanta desatenção eu saber que muito em breve eu te esqueço.

Cinzas (ou De outros Carnavais)

Faz um dia que não te quero mais
Prioridade é valor importante
Vinte e quatro horas não é demais
Mas pra mim é um passo gigante
Parei de nos ver em outros casais
Estou descartando o restante
Dos cacos que catei como cristais
E coloquei na estante
No corpo estão suas digitais
Vou ter que lavar bastante
Te lembrarei em outros Carnavais
Com um olhar bem distante
E se nos virmos seremos cordiais
E isso será torturante
Se nos fizermos perguntas banais
Contigo serei tolerante
Porque em meio a papos triviais
Me mostrarei instigante
E diante de ideias paradoxais
Me lembrará como amante
Em pensamentos pouco morais
E de olhar penetrante
Mas como em todas as relações sociais
Terminará o instante
E nos despediremos naturais
Porque você se garante.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Karma Coletivo

Por um "carna" vale?
Vale se expor assim
Mesmo que tenha um fim
Vale se violentar
Só para se enturmar
Por um "carna" vale?
Todo esse desapego
Esse desassossego
Vale pelo prazer
Ou vale pra ir beber?
Por um "carna" vale?
A sensação de rejeição
E aquelas penas de pavão
Vale o sufoco no banheiro
E o seu dinheiro do ano inteiro
Por um "carna" vale?
A quantidade de purpurina
E aquele cheiro de urina
Ainda que faça sujeira
Porque não chegou quarta-feira
Por um "carna" vale?
Essa dor na lombar
Só pra depois se gabar
Esse sorriso forçado
Mesmo estando cansado
Por um "carna" vale?
O som ensurdecedor
E ouvir aquele cantor
Vale a ressaca moral
O desperdício emocional
Por um "carna" vale?
Aquela dor de cabeça depois
E o taxi na bandeira dois
Modelos posando pra revista
E tapando sua única vista
Por um "carna" vale?
O salto quebrado
O cabelo amassado
Vale o sufoco
De quase levar um soco
Por pisar no pé daquela dona
E esperar por um moço
Que te pediu carona
Por um "karma" vale?
Chegar no fundo do poço
Cometer o equívoco
De fazer essa maratona
Se é carnal vale?
Você dá esse aval?
Afinal, é  mesmo carnaval.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Não pertenço desde sempre
E sei que não fiz mesmo parte
E esse fluxo se cumpre
Como se eu fosse de marte
Não me adapto e me estranham
Quanto a rejeição alheia
Se um deles me odeia
Se me ferem ou se me arranham
Ou se o sujeito chateia
Amortecem os que me amam
Como reação em cadeia
Para longe eles me chamam
Mas a sensação continua
Como se eu fosse uma questão
Como se todos me vissem nua
Na rua da condenação
Aquele que por fim me julga
Sem saber como eu sou
É nova lei que se promulga
De excluir quem se calou
Quem não soube se defender
Porque jamais imaginou
Que quem quer me repreender
É quem na face me beijou.



domingo, 28 de janeiro de 2018

Está querendo me olhar? Pode, sim.
Me  olhar não te tira pedaço.
Está querendo me amar? Pode, sim.
Se quiser eu até te abraço.
Está querendo cantar? Pode, sim.
Bato palma e balanço meu braço.
Está querendo flertar? Pode, sim.
Correspondo se sou a primeira.
Está querendo beijar? Pode, não!
Estou curtindo demais ser solteira.

A sociedade sacia a cidade com quem se associa ao cidadão. Sócio e lógico só anseia essa associação  sem saber se deve se resolver nessa seção. Sem exceção! Só Votação. Volte a ação se associe à lição. Se revolte. Seja são. Tenha visão sociológica dessa sintomática situação.
Universo paralelo é a universidade
Traço um paralelo entre nós
Meu destino foi traçado pela idade
Nó atado, artista sem voz
Paralelamente meu destino
Atrelados nos despedimos
E pedimos
Nos despimos
Nus mantemos distância
E juntas nós duas sorrimos
Eu adulta e eu criança
Me lembro da minha infância
Em sonhos nós nos unimos
N'uma espécie de aliança
Como se fosse o destino
Querendo esse reencontro
Recorro ao Jesus menino
Pra pedir por segurança
Dentro desse antro
Onde vive o sentimento
Invento outro motivo
Pra voltar ao argumento
De que a arte me mantém vivo
E a poesia é alimento.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Conjugação de amor em erro (poema de bêbado)

Te amo, é verdade não sei mais o que fazer
Eu devia mentir, mas invade, não posso mais te esquecer
Te amo assim sem vontade sem, de fato, te merecer
De tanto amar sem alarde não vou sobreviver
De tanto amar tô perdida, falida e não consigo fingir
De te desejar tão bandida, despida não posso mais reagir
Despir de alma é mais grave se não posso mais me vestir
De falsidade na tarde que te convidei pra fugir
Do seu lugar vem mais tarde
Pra viver mais perto de mim
E como quem arde, rasguei o que sobrava no fim
Pra quem percebeu que é covarde dizer que não é certo assim.

Te olho e sorrio sempre
Meu passado é sorridente
Às vezes penso sobre a gente
Às vezes ouço sua mente
Às vezes te sinto presente
Te olho e seu olhar me supre

Te olho e me vejo de novo
Meu olhar não é isento
Às vezes penso sobre o vento
Às vezes acho que é momento
Às vezes sinto que é o tempo
Te olho e sempre me comovo

Te olho e vejo meu passado
Seu olhar não é o mesmo
Às vezes penso que anda a esmo
Às vezes acho que é sagrado
Às vezes sinto o egoísmo
Te olho e sempre estou calado
Olhar de um passado amado
Que hoje é só um velho abismo



Não me venha com modernidade
Eu sou mesmo "démodé"
Poderia culpar minha idade
Mas isso sempre me deixou "blasé"
Não me venha com modernidade
Sou assim porque escolhi
Não me encanta a frivolidade
Desde sempre eu assumi
Não me venha com modernidade
Estou cansada de dizer não
E toda essa superficialidade
Só me faz abrir mais mão
Não me venha com modernidade
Nasci e fui feita pra me entregar
Alguns chamam de enfermidade
Esse eterno vicio em amar
Não me venha com modernidade
Sou amante à "moda antiga"
Já que hoje a profundidade
É sempre mal recebida
Se seu cortejo não me invade
Se me preza como amiga
Não me venha com modernidade
Compreenda a discrição
E perceba que uma tarde
De conversa sem pretenção
É bem mais atraente
Bem mais cativante
Sem piada indecente
Sem insinuação
Não me venha com modernidade
Me ensine a dançar sua dança
Só me interesso pela verdade
Se não há conquista, me cansa.

Desculpe, loirinho! Você é lindo, charmoso, mas não foi feito pra mim.
Sei que me chama, procura e até clama mas é que eu sou assim.
Desculpe, loirinho! Você brilha mas é que eu sou desse jeito.
Pra mim, você é anjo e enfeite de camarim mas não entrou no meu peito.
Não serve para romance, nem beijo, te vejo quase como um manequim.
Sei que tem sentimentos, sorrisos, momentos e lembranças de amor
E mesmo de longe consigo, de fato, reconhecer seu valor.
Mas é que desejo e química são bases que importam no fim
E quando te vejo, meus olhos são de quem está vendo um querubim.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Então parte e não reparte.
Se partir primeiro fica com a pior parte.
Parte então, descarte, abandone a indecisão.
Pois, em parte, sua sorte é viver na contramão.
E quem parte, se reparte, fica com a solidão.
Mas pra quem sobrar a arte,
Repartir é só um corte,
Ou é multiplicação.