sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Eu sou isso
Um misto real de pureza e seriedade
Um gozo real de candura e serenidade
Uma fusão desnorteada de infantilidade e dureza
Uma pintura irônica de Matisse sobre a realeza
Moram em mim um velho e um santo
Uma negra cheia de Sarda
A que enxerga e a que não vê
Um eunuco e um bebê
Uma fada e uma farda
Um trompete e um canto
Canto é todo lado
Alarde de quem não pára
De rir por ser amado
Chorar por ser feliz
E diz que deixa de lado
Angústia de um aprendiz
Mesmo que esteja errado
Por motivos juvenis
Me visto de cavalo alado
Me enfeito com um penteado
E gotejo uma essência anis
De quem sabe que está calado
Por temer pessoas ardis.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Essa é pra quem não entende tudo
E não conseguiu se encaixar
Pra quem também ficou mudo
Quem sofre por não falar
Essa é pra quem atrasa o pagamento
Se não deu conta, o falido
Pra quem trabalha duro
E não é reconhecido
Essa é pra você que já chorou à noite
Que já foi traído
Que é menosprezado
Por não ter mentido
O injustiçado pela inocência
O que é vitimado pela violência
Essa é pra você que só faz o bem
E é ludibriado
Quem é mal tratado
Quem não tem amigo
Se não foi amado
Ou está na sarjeta
E não tem abrigo
Ou não tem gorjeta
Choro por você que é acamado
Se anda adoentado
E não tem vaga no hospital
Essa para o indigente
Que morreu crente que seria curado
Para o doente
E é para esse mundo, coitado!
Indiferente
Tao destruído por essa gente que está do lado
Que anestesiado se vê conivente.