Eu sou isso
Um misto real de pureza e seriedade
Um gozo real de candura e serenidade
Uma fusão desnorteada de infantilidade e dureza
Uma pintura irônica de Matisse sobre a realeza
Moram em mim um velho e um santo
Uma negra cheia de Sarda
A que enxerga e a que não vê
Um eunuco e um bebê
Uma fada e uma farda
Um trompete e um canto
Canto é todo lado
Alarde de quem não pára
De rir por ser amado
Chorar por ser feliz
E diz que deixa de lado
Angústia de um aprendiz
Mesmo que esteja errado
Por motivos juvenis
Me visto de cavalo alado
Me enfeito com um penteado
E gotejo uma essência anis
De quem sabe que está calado
Por temer pessoas ardis.
"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." Clarice Lispector
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Essa é pra quem não entende tudo
E não conseguiu se encaixar
Pra quem também ficou mudo
Quem sofre por não falar
Essa é pra quem atrasa o pagamento
Se não deu conta, o falido
Pra quem trabalha duro
E não é reconhecido
Essa é pra você que já chorou à noite
Que já foi traído
Que é menosprezado
Por não ter mentido
O injustiçado pela inocência
O que é vitimado pela violência
Essa é pra você que só faz o bem
E é ludibriado
Quem é mal tratado
Quem não tem amigo
Se não foi amado
Ou está na sarjeta
E não tem abrigo
Ou não tem gorjeta
Choro por você que é acamado
Se anda adoentado
E não tem vaga no hospital
Essa para o indigente
Que morreu crente que seria curado
Para o doente
E é para esse mundo, coitado!
Indiferente
Tao destruído por essa gente que está do lado
Que anestesiado se vê conivente.
E não conseguiu se encaixar
Pra quem também ficou mudo
Quem sofre por não falar
Essa é pra quem atrasa o pagamento
Se não deu conta, o falido
Pra quem trabalha duro
E não é reconhecido
Essa é pra você que já chorou à noite
Que já foi traído
Que é menosprezado
Por não ter mentido
O injustiçado pela inocência
O que é vitimado pela violência
Essa é pra você que só faz o bem
E é ludibriado
Quem é mal tratado
Quem não tem amigo
Se não foi amado
Ou está na sarjeta
E não tem abrigo
Ou não tem gorjeta
Choro por você que é acamado
Se anda adoentado
E não tem vaga no hospital
Essa para o indigente
Que morreu crente que seria curado
Para o doente
E é para esse mundo, coitado!
Indiferente
Tao destruído por essa gente que está do lado
Que anestesiado se vê conivente.
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