Quando a gente se encontrou, foi meio complicado. No primeiro encontro eu achei que era sonho, no segundo, um pesadelo. E precisei de um terceiro como tira-teima! Já no quarto encontro, eu teimei que era o que eu queria mesmo. Não sabia explicar o motivo. Mas ele era diferente, assim: “Não sei explicar”, sabe? Um furacão. E na medida. As vezes frio que dava medo, as vezes quente de derreter qualquer calota polar. Eu vivia falando que sentia que dávamos um passo pra frente e três pra trás. Estava desconfiado com relacionamento que nem eu, então começamos a namorar com o freio de mão puxado, embora tenhamos nos comprometido muito rápido. Acho que foi isso! Tão intenso no início, que tentamos nos segurar de alguma forma, depois da oficialização. As pessoas achavam estranho: “Vocês se conheceram em abril e em maio já começaram a namorar?” - Meu amigo, a gente demorou demais! O tempo é quântico! Pra mim parecia realmente muito mais. Parece. Aliás, não parece que o conheço há 1 ano. Não mesmo. A gente se virou do avesso tão seriamente que também não acredito que sejamos mais o que éramos, quando o conheci. Duvido muito! Quer dizer, eu não sou. De mim, eu sei. Sabe quando dizem que a gente, às vezes, precisa dar uma volta de 360 graus pra voltar ao ponto inicial e falar: “Ah! É a esse lugar que eu pertencia o tempo todo. É aqui que me faz feliz!” E é. Quantas vezes na vida, eu esperei encontrar uma pessoa que não quisesse me mudar? Que confiasse em mim? Que me deixasse ter meu espaço? Que não se ofendesse ou me ofendesse por tudo? Que se permitisse aprender com os erros e que tivesse como missão de vida evoluir, acima de tudo. Que priorizasse a ética, o cuidado, a sinceridade. Que me fizesse rir, meu Deus! E que não pensasse que discordância é sinônimo de desamor. Eu admito que ao pensar nessas coisas, temi que fosse apenas um excesso meu. Muitas exigências de minha parte. Seria eu rígida demais? Pensei que seria difícil. Me esquivei da dificuldade e, por isso, relativizei. Me conformei, talvez. Até aquela terça-feira em que você me chamou para um Toddynho e mudou tudo. Tudinho. E vem mudando, aos poucos. Pedrinha por pedrinha, com calma e cuidado. É engraçado isso! Acho injusto com você que eu esteja me readaptando e aprendendo a lidar com o que eu sempre quis. Acho que você não deve entender nada. Com você, voltei a viver os meus próprios sonhos! Compartilha-los. Você se soma a mim. Como nosso amigo nos disse: “vocês estão juntos porque se complementam”. Adoro que sejamos esse “Megazord”. Sempre fui uma excelente Ranger, mas algumas coisas ficam tão pequenas sob a perspectiva de um “Transformer”, você não acha? Tenho certeza que se a gente tivesse se conhecido mais novo, seríamos aqueles casais que namoraram a vida toda. Só que eu provavelmente não ia ter coragem de te abordar, porque ia achar que você é um tipo que só ficaria afim da patricinha com cara de “songamonga” e eu sei que se não fosse a tecnologia, você também não chegaria a mim, porque na balada você me olharia e pensaria que eu sou só extrovertida, porque é o que as pessoas pensam de mim socialmente mesmo e depois, de certo, criaria um padrão que estereotipasse meu gosto pessoal, de maneira a não se incluir nas minhas possibilidades. Eu bem sei que você cria umas lógicas que só fazem sentido pra você! Mas eu não me importo, porque eu as crio também. De outra forma, mas crio. Desde que eu te conheci, com aquele mapa astral, aquelas informações, aquele papo que combinava tanto, confesso que passei por momentos de desacreditar! Desconfiei de mim. Achei que estava fantasiando. Por medo. Por incredulidade. Por ser eu. Mas ao mesmo tempo, você já tinha se tornado uma das maiores e mais felizes surpresas da minha vida. Ainda que acabasse ali, ou hoje, ainda assim seria. É. Por isso que desde menina eu me afeiçoei tanto as surpresas. Há quem as tema! Eu, não sei se por intuição ou por cabeça oca mesmo, sempre aguardei avidamente por elas. Algo aqui dentro, sabia que você viria. Assim do seu jeito, de uma forma ou de outra. Viria. Pra ficar.