"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." Clarice Lispector
sábado, 23 de novembro de 2019
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Como ser artista e não lidar com o meio?
Amo a arte
Odeio os meios, de produção.
De arte, me encho.
Meio artístico é pra quem não é inteiro.
Me desculpe meio,
Estou entregue à arte
À verdade
Ao que é real
Realidade artística de quem vive de ideal
Teatro de fantoche já existe demais
Quero inspirações reais
Sem enfeite
Sem cristais
Sem medo de fraseamentos banais.
Socialmente aceito é uma aberração
O que o meio pede
É um meio de te fazer perder
De fazer com que se perca.
Se perca de você.
Pra produzir, para o meio.
Artístico é só um nome
Quando não há mais significado
Quem vive de arte, some.
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Não nos avisaram
Não nos avisaram das dificuldades, dos problemas, não avisaram dos medos e da insegurança. Não avisaram do desemprego que nos assolaria. Do desamparo, do medo de errar. Não nos avisaram que estudar não seria o suficiente, que nos esforçar não seria o suficiente, que tentar não seria o suficiente, que a comida não seria suficiente, que nada seria. Não nos disseram que a sociedade não nos cabia, que a cidade não nos comportava, que a vida não nos pertencia. Não nos foi dito que nosso corpo não seria bom, que as ideias não seriam boas, que conselhos não seriam bons e que no mundo era tudo farsa. Não nos avisaram.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Eu sinto sua falta nesses dias que a gente se desencontra. Desencontro de momentos, desencontro de corpos ou de pensamentos. Eu sinto. Sinto sua falta se vou dormir, quando penso no emaranhado de pernas e na organização desorganizada do pescoço. Sinto saudade do seu carinho, do seu abraço. E de como me ajeita no seu braço com jeitinho pra não me acordar. Sinto saudade porque você me acorda todas as vezes, sem querer. A falta está no dia-a-dia das nossas viagens só nossas, porque todo lugar com você é bom demais. É nosso. E, as vezes, eu quero viajar nem que seja pra essa mesma cidade pra que a gente possa ficar junto um pouco mais. Sinto a sua falta o tempo todo, as vezes sinto a sua falta com você aqui. Saudade com você ao meu lado. No caminho pra casa. Eu já sinto sua falta. E se respondemos “Graças a Deus” ao fim da missa, eu agradeço por tudo. Mas ali já começo a sentir. A falta. Queria que você estivesse aqui quando eu sinto sua falta. E de todas essas coisas. As vezes, eu sinto sua falta de corpo presente porque, no fundo, eu sei que seu pensamento também foge. Não é que fuja de mim, porque nos amamos tanto. Mas foge. Foge do mundo. Das pessoas. Do convívio. Sinto muita falta do seu amor. Muita. Seu amor que me preenche e depois, na ausência, só me enche de faltas. Esse amor que gera falta. Mas que o sinto. Se em presença. Já que esse amor é como o pensamento. Gera falta porque, as vezes, foge. Voa. Seu amor tem esconderijo. Se o deixa se esconder em mim, sentirei tudo. Ainda que falte palavras. Ser esse amor. Do amor. Sei que pensa em mim. Mas quando não quer encarar. Não olha de frente. Pra falta. Pro amor. Dói. E eu sinto sua falta. Porque amar dói um pouquinho. Mas dói mais a falta. E mais ainda se aqui só falta você.
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Só me prometa uma coisa. Promete que não vai ficar comigo pelo meu papo legal, pelo meu cabelo desordenado. Não fica comigo porque meu sorriso é bonito e porque eu sei falar sobre Deus. E estou contigo no feriado. Promete que você não está aqui só porque é cômodo, porque sua família me aceita. Ou porque eu digo que te amo, porque amo, mas promete que isso não importa quando a gente se deita. Promete que não liga pra meus olhos grandes e meu quadril largo. Promete que não esta comigo por eu ter um humor instável. E um passado amargo. Promete que é por desejo, por amor, que me embaraça. Promete que sonha com meu gosto, com meu cheiro, com minha boca. Goza comigo. Me abraça. Mas não seja tão sensato. Promete que sente falta da minha pele, porque não sou só sua amiga. Promete que vai gostar de restaurante mas vai provar da minha comida. E que vai ser destino, redemoinho ou só rasante de vento. Mas promete que o que eu sinto é de verdade pra você. Um alento. Não suporto mais a incerteza da parte mais crua, equivocada, mais leviana da paixão. Não suporto ver nosso amor à deriva por uma racionalidade falsa, enganada e solitária. Promete não me deixar abalada, por coisas vãs como um beijo. Sei que disse que não pode me prometer nada. Aceito essa verdade. Mas promete que enquanto está comigo sou só eu e mais ninguém. E as desculpas tão criadas pra evitar o meu contato, promete que são fato, só pra não parecer desdém. E quando não houver desculpas, empecilhos ou friezas, promete mais certezas e não culpe o tempo por nós dois. Se me ama, ama agora. Tira o elmo de guerreiro e não nos deixa pra depois.
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Uma pessoa pode colocar a visão dela das coisas e ficar tudo bem. Pode ser uma compreensão da bíblia, por exemplo, está bem? A minha interpretação do mesmo texto pode ser diferente e tudo bem. Eu posso conviver com a opinião de uma pessoa que discorda do que eu digo muito bem. Eu posso ouvir uma palestra inteira de alguém falando o que majoritariamente eu discorde e isso não irá me impedir de respeitar o direito que a pessoa tem de expressar a opinião dela, como ela bem entende. Inclusive eu posso filtrar o que ela disse e aderir ao que ressoa em mim, na minha compreensão. Tudo bem. Uma pessoa pode entender o texto que eu estou escrevendo de forma atravessada e está tudo bem. Ainda assim é meu texto com minhas informações e com minhas referências de vida. Impedir que eu escreva, que eu publique, que eu fale, que eu te ouça, mesmo discordando de quase tudo o que você diz não, não é para o bem.
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
“O ator é solitário”, “o artista é sozinho”, nossa geração já lutou muito pra desmistificar essas frases tão avessas ao que entendemos por arte. Sempre me interessou uma compreensão coletiva de tudo. Não gosto de aprender nada sozinha. Nunca gostei. E não estou sozinha nisso. Mas, hoje em dia, eu compreendo o que os meus mestres quiseram dizer: artista é artista no íntimo, no que enxerga das coisas, no que acredita. Não é que sejamos solitários em nossa arte, não é isso. Somos únicos. Porque somos indivíduos com percepções, aprendizados e experiências diferentes. Não se torna artista. Se é. As vezes mais, as vezes menos. Hoje me coloco como a menor das artistas. Não que eu atribua a necessidade de se receber louros à arte, hoje entendo que, na verdade, é o louro o verdadeiro avesso ao pensamento artístico. E reconhecer o significado profundo de criar e se saber criação, não há louro que pague. Enxergar verdadeiramente que a arte que há em você é bem mais significativa e bela que você na arte. Tão simples, tão óbvio. Difícil, no entanto. Por isso, o carinho de quem cuidadosamente ensina, se torna maior que o produto em si. O processo se vê arte e o resultado nos esvazia. Se tive dúvidas de que o artista é só, hoje sei que o é. E não digo isso porque a arte nos impossibilite perceber o entorno, ao contrário, a atitude artística olha a vida de um jeito tão detalhado e minucioso que a realidade se torna oblíqua. Difícil de definir com apenas um dos cinco sentidos. E completo que sou a menor por não ter permitido, muitas vezes, que a realidade me tocasse. Me via, me ouvia, sabia o gosto, o cheiro. Mas não me pegava. Me escondi. Soube o que vi e fingi que não via. Me debati pra não me expor e assim, não sofrer. Sem sofrer, não aprendi. E hoje sofro pra aprender. Agora entendo que a solidão de só ter me permitido enxergar tudo, talvez, tenha me feito não participar. Os olhos são os espelhos da alma, os artistas emprestam os seus olhos e o resto pra refletir o mundo e rasgam a alma pra ser exposta à luz. Da razão só se tem o esboço, o resto é emoção e dor de estômago.
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Escolher estar junto e gostar de alguém é apostar. É preciso certa dose de pretensão, inclusive, para se jogar em alguma coisa desse tipo porque não existem certezas. Nesse all-in descabido, com todas as fichas na mesa, a única certeza que se tem é o toque, o olhar e a palavra do outro. E que aposta louca essa de confiar em quem não se conhece desde sempre, não é mesmo? Há quem jogue sujo. Há quem use de blefe. Roleta russa das mais perigosas essa de se entregar à paixão por alguém que teve um passado, tem um presente e com sorte, terá um futuro. Você mesmo não sabe bem o que vai ser de amanhã, porque pensar que a companhia do outro será perene? Acontece que o ser humano precisa confiar. Ter fé. Amar é ter fé. Fidelidade tem tudo a ver com fé. O infiel nada mais é que um descrente. Um agnóstico do amor, condenado para sempre aos desvarios incontroláveis da carne. Acredito que a insensibilidade seja a maior partidária da infidelidade. O insensível se apaixona pela carne e não se deixa transbordar pelas ondas acachapantes da alma. Pensam que estar na carne é se manter em zona segura. Permitir que o outro toque apenas a superfície. Bobagem! O ser humano é ingênuo ao pensar que a memória do corpo não é emocional. A memória do corpo é a mais vívida. E a sensação que se obtém da presença de alguém nunca será igual. Pensamos que podemos dominar o corpo, mas na verdade é a mente que tentamos moldar. Ensinamos o que queremos à mente. Mas o corpo registra tudo. Cada mão que lhe encosta o rosto, está guardada na caixa preta inacessível do seu mais profundo ser. As memórias criadas pelo corpo são inapagáveis e é por isso, que apostamos alto ao pensar que entrando na vida do outro, seremos capazes de fundir completamente os dois corpos. Mas é por essa ingenuidade, por não entendermos que essa missão é inglória, que estamos sempre tentando. E, as vezes, como que por um encanto, a roleta da vida gira e aquela aposta vale a pena porque o corpo não se funde, mas as almas se conectam com o amor, com a fé e com tudo aquilo que é capaz de transformar um ser humano em algo além de si mesmo.
segunda-feira, 20 de maio de 2019
ELA É POESIA PURA. E ATENÇÃO. E CUIDADO. ELA É EXIGÊNCIA. SORRISO. COMPREENSÃO. ELA É UMA BEBÊ MADURA. SABE BRINCAR. VÊ DESENHO ANIMADO. ACOMPANHADA OU SOZINHA. ELA GOSTA DE BICHINHOS, DE PLANTAS, DAS ESTRELAS DO CÉU OU NÃO. GOSTA DO MAR. DA LUA. DE HELICÓPTERO, AVIÃO. DE MÚSICA, PINTURA, CHINELO. ÁGUA DE CÔCO OU SUCO. BANHO. DANDA DE CARRINHO MAS GOSTA DE DANDAR PÉS. FALA SOBRE PASSARINHO E NINHO TAMBÉM. PEDE PALMA QUANDO LEMBRA COMO SE CONTA ATÉ DEZ. E FALA COLO. MAMÃE. PAPAI. PAPÁ. COOKIE. VOVÓ, VOVÔ. TIO CHICO. DINDA. FALA QUE UMA COISA É LINDA. GOSTA DO VERMELHO. DA CHUVA. DO VENTINHO. FALA COM CARINHO DE TUDO O QUE JÁ VIU. E ME FEZ VOLTAR A VER.
quarta-feira, 24 de abril de 2019
“Nem sempre o primeiro amor é o primeiro namorado” essa frase era da minha avó. E concordo com ela. Em geral, o que chamamos de amor na adolescência é o florescer da libido e da paixão. A gente mete os pés pelas mãos. Faz barulho! Se fere e, as vezes, não percebe que feriu o outro também. A desordenada paixão pode gerar traumas, alegrias, frustrações, ansiedade. Sentimos absolutamente tudo o que existe no amor, em doses cavalares e calorosamente passageiras. É paixão que faz a gente se encantar por pessoas que não fazem sentido à longo prazo. Paixão a gente vive com intensidade... ainda que sejam 2, 3 beijos. Tem muito a ver com tesão e muito pouco a ver com afeto. Mas o amor, meu amigo... lida com outro assunto. Amor é sementinha que brota da paixão...mas que precisa de paciência e só cresce forte no respeito. Por isso alguns nunca amam, mas estão sempre apaixonados. É difícil amar pra quem quer tudo agora. É impossível amar quando você não se respeita, porque amor não se mantém em desrespeito e nossa maior escola está em nós mesmos. As relações mais sólidas de amor, são aquelas que os dois se descobrem aos poucos. Mesmo que demore séculos. Principalmente se demorar séculos. Pra quê a pressa? Até as sensações são descobertas pra quem ama: a mão... o toque... o beijo... uma pinta nas costas... o formato da orelha! Por isso que não lembramos com nitidez de quem nos apaixonamos. Mas fica tão clara a imagem do ser amado! O amor embaça o rosto das paixões. Nenhum outro rosto é real. A neblina torna difícil a tarefa de enxergar. Mas voltamos a encarar a existência das nossas antigas paixões, agora com piedade. Com carinho. O que feriu, já não dói. O que foi bom, nos parece pueril. E agradecemos a experiência vivida que nos permitiu hoje, finalmente, amar. Paixão é carreira solo mas amor só se faz com duas pessoas. Desconfie da frase: “eu amo, mas ela(e) não me ama!” Desconfie desse sentimento. Paixão engana, ilude e se enfeita com os aromas e adornos do amor. Mas amor que é amor, é sempre recíproco. O amor não permite desencontros. Para o amor, o agora é sempre a hora certa, o momento oportuno. Ninguém dá desculpas pra ele. Por mais que tente. Por mais que esteja com medo. Já que ele é grande e assustador! Mas o amor constrói um imã entre as pessoas que se amam. Que os impede constantemente de fugir, de terminar, de dar um tempo. Porque o amor não vê sentido na partida, mas se concentra na constante chegada. Quem se ama não precisa viver grudado pra sentir a presença do outro. Quem ama gosta de ficar só e fica feliz quando está acompanhado. Quem ama não faz planos individuais mas não deixa seus próprios sonhos. Porque o amor não permite anular os sonhos ou a pessoa amada. O amor multiplica os sonhos. Aumenta as expectativas na vida. Porque com o amor não se perde nada. Quem ama, de verdade, acredita que o amor basta. Aquele que não acredita na função curativa e criativa do amor, nunca amou. Compreende? O amor cura tudo o que o desamor corrompe. Só amor de verdade é capaz de cicatrizar cada ferida esquisita de dor mal doída que passou na nossa vida. Só amor limpa as cinzas e a poeira do terreno da nossa alma e o torna fértil de novo. Porque a paixão existe pra te lembrar do quanto a gente precisa de amor e o quanto é difícil encontrar. Por isso, devemos valorizá-lo. Paixão e carência são velhos conhecidos que bebem do mesmo vinho. Mas a carência não gosta muito do amor, porque o amor anda sempre muito bem acompanhado da autoestima e da paciência. Carência vive com ciúmes da paixão. É tóxica. É aquela antiga amiga de copo da paixão, que não se pode confiar. Porque carência só pensa nos prazeres da vida, mas não é feliz e vive levando paixão para caminhos equivocados. O amor é especialista em curar, mas a carência é teimosa e só reconhecerá o amor quando ouvir os saudáveis conselhos da autoestima. Se ame e reencontre a paixão, mas agora sadia e de mãos dadas com o amor!
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Viu e sentiu. Tanta gente à sua frente. Vicente, sentia na tarde a dor pungente. Doer por não se ver doente. Vi quem sente tão somente e não mente. Se vir, sentir seu ser. Dormente. Se mete. Em mente insana, com um vicio permanente. Se planta uma semente. Diferente. Mas o furor te decepou, decepcionado. E descrente furtou-se os ouvidos, os sentidos, as orelhas, os amigos. Tão calados. Isolado. Gira a mente e o girassol sob o sol ou noite estrelada o mundo gira a mão cansada, sente a cada pincelada a dor do mundo e a dor da mente.
Século vinte e um, meu pai
fugiu da casa que alugou
Pra vir morar com a gente e sai
sem explicar se mudou
E mais, também quer que eu parta.
Século vinte e um, e eu
Me formei em mais um lugar
Na profissão que o amor me deu
Mas que nunca vai sustentar
Mais uns anos de vida farta.
Século vinte e um, o mundo
está tão cansado,
o Rio está destruído
E o povo está desfalcado
Cansado de ser traído
Por gente que lhes descarta.
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Um ano de laços.
Um ano de nós, agarradinhos.
Bem grudados.
De beijinho e de cuidados.
Um ano emaranhado.
Em meus cachinhos, de carinhos.
De amor despertado.
Um ano de laços.
Um ano de nós, juntinhos.
Bem ajustados.
Abraçadinhos, dentro de um ninho
Que é o ser amado.
Um ano de laços.
Um ano de nós, apertadinhos
No nosso abraço
Nosso jeitinho, nosso cansaço
Dos outros, mas nunca de nós.
Um ano de laços.
Um ano de nós, dois.
quarta-feira, 27 de março de 2019
O que a arte me ensinou, ninguém ensina
Sou uma velha mas comecei menina
O que a arte me ensinou, ninguém concorda
Sou como um trapezista sem corda
O que a arte me ensinou, ninguém oprime
Sou grotesco que tem medo do sublime
O que a arte me ensinou, ninguém exige
Sou cantora e meu público me corrige
O que a arte me tirou, ninguém devolve
Sou ator e o que não me mata me envolve
O que a arte me emprestou, ninguém encosta
Sou pintor e quando eu pinto, você posta
O que a arte me cedeu, ninguém condena
Sou passista e meu sorriso é meu emblema
O que a arte me arrancou, ninguem entende
Sou palhaço e minha graça te prende
O que a arte me ensinou, ninguém muda
Sou do figurino e escolhi sua bermuda
O que a arte me ensinou, ninguém transforma
Sou do cenário e na sua vida, a reforma
O que a arte me ensinou, ninguém escuta
Sou musicista e meu instrumento é a luta
O que a arte me ensinou ninguém esconde
Sou maquiador e só mudança me responde.
Sou uma velha mas comecei menina
O que a arte me ensinou, ninguém concorda
Sou como um trapezista sem corda
O que a arte me ensinou, ninguém oprime
Sou grotesco que tem medo do sublime
O que a arte me ensinou, ninguém exige
Sou cantora e meu público me corrige
O que a arte me tirou, ninguém devolve
Sou ator e o que não me mata me envolve
O que a arte me emprestou, ninguém encosta
Sou pintor e quando eu pinto, você posta
O que a arte me cedeu, ninguém condena
Sou passista e meu sorriso é meu emblema
O que a arte me arrancou, ninguem entende
Sou palhaço e minha graça te prende
O que a arte me ensinou, ninguém muda
Sou do figurino e escolhi sua bermuda
O que a arte me ensinou, ninguém transforma
Sou do cenário e na sua vida, a reforma
O que a arte me ensinou, ninguém escuta
Sou musicista e meu instrumento é a luta
O que a arte me ensinou ninguém esconde
Sou maquiador e só mudança me responde.
Se parar pra pensar nesses anos
Ilusões e arrependimentos
Gastei muito tempo nos planos
Andei aquecida nos ventos
Com o passar do tempo eu vi
O quanto escrever me alegra
Momentos que não esqueci
A partir do que o texto me entrega
Se hoje eu sei que perdi
Parte de um passado remoto
Arrependo-me se não escrevi
Leio para ver se, de fato, me importo
Antes de concordar que senti
Vou vivendo as novas circunstâncias
Relembrando escritas da vida
Aturdida em minhas inconstâncias
Sem registro serei esquecida.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Quando a gente se encontrou, foi meio complicado. No primeiro encontro eu achei que era sonho, no segundo, um pesadelo. E precisei de um terceiro como tira-teima! Já no quarto encontro, eu teimei que era o que eu queria mesmo. Não sabia explicar o motivo. Mas ele era diferente, assim: “Não sei explicar”, sabe? Um furacão. E na medida. As vezes frio que dava medo, as vezes quente de derreter qualquer calota polar. Eu vivia falando que sentia que dávamos um passo pra frente e três pra trás. Estava desconfiado com relacionamento que nem eu, então começamos a namorar com o freio de mão puxado, embora tenhamos nos comprometido muito rápido. Acho que foi isso! Tão intenso no início, que tentamos nos segurar de alguma forma, depois da oficialização. As pessoas achavam estranho: “Vocês se conheceram em abril e em maio já começaram a namorar?” - Meu amigo, a gente demorou demais! O tempo é quântico! Pra mim parecia realmente muito mais. Parece. Aliás, não parece que o conheço há 1 ano. Não mesmo. A gente se virou do avesso tão seriamente que também não acredito que sejamos mais o que éramos, quando o conheci. Duvido muito! Quer dizer, eu não sou. De mim, eu sei. Sabe quando dizem que a gente, às vezes, precisa dar uma volta de 360 graus pra voltar ao ponto inicial e falar: “Ah! É a esse lugar que eu pertencia o tempo todo. É aqui que me faz feliz!” E é. Quantas vezes na vida, eu esperei encontrar uma pessoa que não quisesse me mudar? Que confiasse em mim? Que me deixasse ter meu espaço? Que não se ofendesse ou me ofendesse por tudo? Que se permitisse aprender com os erros e que tivesse como missão de vida evoluir, acima de tudo. Que priorizasse a ética, o cuidado, a sinceridade. Que me fizesse rir, meu Deus! E que não pensasse que discordância é sinônimo de desamor. Eu admito que ao pensar nessas coisas, temi que fosse apenas um excesso meu. Muitas exigências de minha parte. Seria eu rígida demais? Pensei que seria difícil. Me esquivei da dificuldade e, por isso, relativizei. Me conformei, talvez. Até aquela terça-feira em que você me chamou para um Toddynho e mudou tudo. Tudinho. E vem mudando, aos poucos. Pedrinha por pedrinha, com calma e cuidado. É engraçado isso! Acho injusto com você que eu esteja me readaptando e aprendendo a lidar com o que eu sempre quis. Acho que você não deve entender nada. Com você, voltei a viver os meus próprios sonhos! Compartilha-los. Você se soma a mim. Como nosso amigo nos disse: “vocês estão juntos porque se complementam”. Adoro que sejamos esse “Megazord”. Sempre fui uma excelente Ranger, mas algumas coisas ficam tão pequenas sob a perspectiva de um “Transformer”, você não acha? Tenho certeza que se a gente tivesse se conhecido mais novo, seríamos aqueles casais que namoraram a vida toda. Só que eu provavelmente não ia ter coragem de te abordar, porque ia achar que você é um tipo que só ficaria afim da patricinha com cara de “songamonga” e eu sei que se não fosse a tecnologia, você também não chegaria a mim, porque na balada você me olharia e pensaria que eu sou só extrovertida, porque é o que as pessoas pensam de mim socialmente mesmo e depois, de certo, criaria um padrão que estereotipasse meu gosto pessoal, de maneira a não se incluir nas minhas possibilidades. Eu bem sei que você cria umas lógicas que só fazem sentido pra você! Mas eu não me importo, porque eu as crio também. De outra forma, mas crio. Desde que eu te conheci, com aquele mapa astral, aquelas informações, aquele papo que combinava tanto, confesso que passei por momentos de desacreditar! Desconfiei de mim. Achei que estava fantasiando. Por medo. Por incredulidade. Por ser eu. Mas ao mesmo tempo, você já tinha se tornado uma das maiores e mais felizes surpresas da minha vida. Ainda que acabasse ali, ou hoje, ainda assim seria. É. Por isso que desde menina eu me afeiçoei tanto as surpresas. Há quem as tema! Eu, não sei se por intuição ou por cabeça oca mesmo, sempre aguardei avidamente por elas. Algo aqui dentro, sabia que você viria. Assim do seu jeito, de uma forma ou de outra. Viria. Pra ficar.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Aprendi que nada é radical. Nem essa afirmação. Tem limite até para auto-ajuda. Nunca me considero conhecedora de algo, há sempre um ponto de vista a ser explorado. Ainda que profundo, ainda que difícil de acessar. A vida não tem fórmula mágica. O que funciona pra mim é diferente do que funciona para os outros. Mas é chato não poder ser bom. As pessoas desrespeitam as boas intenções. Como se um motivo egoísta para uma boa intenção o fizesse pior que uma má intenção pura e simples. Falso! O “inferno” está cheio é de más intenções. Parece inocente o que eu digo? Não é. Existem muito mais pessoas pra desqualificar uma boa conduta, que para questionar uma má. Isso porque as pessoas simplesmente não aceitam que as outras sejam leais, gentis, corretas, éticas. Enquanto alguns chamam fazer o óbvio de “politicamente correto” pejorativamente, outros arrumam cada dia mais formas de acusar de más, pessoas que se equivocam em mínimas atitudes, no intuito patético de ridicularizarem seus acertos. Isso é risível. “Acertar não está disponível no momento, senhor! Volte outra hora.” Será possível? Toda atitude certa em um ser humano que erra virou hipocrisia. Galera, é assim que funciona mesmo. Já estava no script. Ora! Uma pessoa pode fazer caridade e comer carne, sim. Que tipo de planilha fajuta é essa que a pessoa que procura fazer o bem, hoje em dia, precisa seguir? As falhas vão continuar, mas deixem o povo tentar ser bom do jeito que pode. Não me venha com essa história. Pra mim, isso é atraso. Cada dedo apontado para uma pessoa bem intencionada gera, no máximo, mais uma desistente! Quantas mais precisaremos perder para a patrulha do “inferno tá cheio”? Simplesmente sigo, com minhas próprias ideias. Mas sigo. Porque de ditadores do comportamento humano, sim, o inferno deve estar enfestado. Simplesmente pra que você desista de acertar.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
O que dizer do amor se de amor não se diz. Acho inteligente isso de não dizê-lo! Mas é difícil pra mim, meu amor. Covardia. O meu amado me ensina a amar sem barulho, mas minha alma grita. A cada dia, a cada segundo, a cada beijo e abraço sedento por mais proteção. Sou inteira! Não é carência, não, coração. É excesso. Estou sentindo tudo. E seguro. Me seguro pra não falar o tempo todo, toda hora, todo dia, que te amo. Amo cada dia mais. Como uma rosa regada todo dia. Aos poucos. Com sede mas viva... bonita e viva... viva na medida... mas que quer mais água, ainda que morra afogada. E esse regador não se excede. Nunca. Nem por um segundo. Será zelo? É sempre a quantidade precisa, a medida certa para a sobrevivência. A água que rega, não inunda, não mata. Estou viva e recebo o suficiente para querer sempre. Nem uma gota a mais.
sábado, 5 de janeiro de 2019
De repente as coisas se apagam. Tudo vira cinza! O fogo queima a laringe, a fronte, o passado e tudo o que a gente foi. É tarde mas é cedo. Nove da noite, cedo ou tarde. O mundo permanece imóvel mas mutável. Reverbera o que parece ser, impera o que é. Estou só. Feliz e triste! Triste porque passou e feliz porque está começando. Sensação de nova fase faz isso com a gente. Revejo fotos antigas. Quem eu era já não é. Quem eu sou já não sei. Me passou o relógio! O rosto, o cabelo ainda jovens. Algumas marcas não muito aparentes. São 28. Retorno. De mim sou caule. Planta à florescer. Saturno se mantém firme, cobrando o que eu não soube dar. E afagando o que eu excedi em doação. Me afogando em minhas próprias lágrimas, rio triste. Sou um rio com muitos peixes. Transbordo renovação, amadurecimento e sou atravessada pela vida, a minha e as alheias, ainda que não queira. Já não me pertenço e nem controlo. É fluxo contínuo de “nada sei” para “nunca imaginei”. Mas sigo firme na busca de me encontrar em meus próprios pensamentos, mesmo que não saiba o que pensar deles. Dói não estar na primavera que foi boa e relembrar dos invernos que foram maus. Dói saber que virão novos verões e também outonos. Mas dói ainda mais se não vierem. Embora eu saiba que a vida não é só dor, saber e lembrar que dói é um conforto para a alma. Porque lembrar é bom pra quem gosta de saudade! E castiga sem pena quem só pensa no futuro. Sei que devo viver o agora, porque ele me pertence. Já não posso me dar ao luxo, como outrora, de me manter no futuro porque sei que esse mesmo futuro irá me castigar pela minha displicência com o presente, que um dia será passado. E já é, imagine só. Ando mais reflexiva por esses dias e é bom escrever. As letras nunca foram tão amigas. Ouvi que devemos honrar nosso verbo. Acho bonito “honrar”. Que belo verbo esse! Mas é aquele tipo de verbo que só se compreende com o tempo. Eu mesma, a essa hora, ainda não sei. Mas já consigo entender. Conforme for, vou caminhando meio a esmo mesmo. Com as cacofonias que me forem impostas. Sem saber ao certo porque ou pra que ir, ainda que eu acredite que à essa altura eu já devesse saber. Por isso que o tempo está bravo. Ou só cansado de mim mesmo, como eu dele. Amigo, vamos fazer as pazes?
Assinar:
Postagens (Atom)