domingo, 30 de setembro de 2018

Aberto

No mar aberto
Entregue ao vento
É tão incerto
Este momento

No mar invade
Também sou água
Por mais que arda
Que me carregue

No mar que cega
Esses olhos secos
E que me pega
Os escuros becos

No mar ressaca
Rebentação
Que me ataca
E eu sem reação

No mar salgado
Uma calmaria
Que me invadia
Por todo lado

No mar valente
Com sol a pino
A pele sente
O prazer divino

De estar presente
Em um destino
Inebriante
Mar cristalino

Barco à deriva
Da nossa mente
Fico ciente
De que estou viva.




Tenho andado movida à paixão,
E o que fazer com isso?
Se amo, de fato, não vejo razão
Pra ter mais compromisso
Além das loucuras firmadas com o amado
Num jogo de afeto
Sabendo que mesmo perdendo ou ganhando
O quero por perto
Ao menos enquanto o furor da vontade
Existe aqui dentro
Meu mundo se apaga e sem medo coloca
O amado no centro
Da fogueira calada que arde e insiste
Em queimar no momento
Que o amor avassala e o peito transborda
O novo sentimento.
Vista da Lua na Terra

Minha lua dura e fria
Esvazia o sofrimento
Sua amada covardia
É guardar o meu alento
Minha amada, me inebria
Não me traga esquecimento
Minha amada lua fria
Me congela e eu te esquento
Dura lua me sacia
Mas esconde o que há por dentro
Minha amada lua esfria
E me leva com o vento
Minha lua amada cria
Um modo de estar no centro
Fria lua, me irradia
Com o calor do sentimento.