Só me prometa uma coisa. Promete que não vai ficar comigo pelo meu papo legal, pelo meu cabelo desordenado. Não fica comigo porque meu sorriso é bonito e porque eu sei falar sobre Deus. E estou contigo no feriado. Promete que você não está aqui só porque é cômodo, porque sua família me aceita. Ou porque eu digo que te amo, porque amo, mas promete que isso não importa quando a gente se deita. Promete que não liga pra meus olhos grandes e meu quadril largo. Promete que não esta comigo por eu ter um humor instável. E um passado amargo. Promete que é por desejo, por amor, que me embaraça. Promete que sonha com meu gosto, com meu cheiro, com minha boca. Goza comigo. Me abraça. Mas não seja tão sensato. Promete que sente falta da minha pele, porque não sou só sua amiga. Promete que vai gostar de restaurante mas vai provar da minha comida. E que vai ser destino, redemoinho ou só rasante de vento. Mas promete que o que eu sinto é de verdade pra você. Um alento. Não suporto mais a incerteza da parte mais crua, equivocada, mais leviana da paixão. Não suporto ver nosso amor à deriva por uma racionalidade falsa, enganada e solitária. Promete não me deixar abalada, por coisas vãs como um beijo. Sei que disse que não pode me prometer nada. Aceito essa verdade. Mas promete que enquanto está comigo sou só eu e mais ninguém. E as desculpas tão criadas pra evitar o meu contato, promete que são fato, só pra não parecer desdém. E quando não houver desculpas, empecilhos ou friezas, promete mais certezas e não culpe o tempo por nós dois. Se me ama, ama agora. Tira o elmo de guerreiro e não nos deixa pra depois.