O que a arte me ensinou, ninguém ensina
Sou uma velha mas comecei menina
O que a arte me ensinou, ninguém concorda
Sou como um trapezista sem corda
O que a arte me ensinou, ninguém oprime
Sou grotesco que tem medo do sublime
O que a arte me ensinou, ninguém exige
Sou cantora e meu público me corrige
O que a arte me tirou, ninguém devolve
Sou ator e o que não me mata me envolve
O que a arte me emprestou, ninguém encosta
Sou pintor e quando eu pinto, você posta
O que a arte me cedeu, ninguém condena
Sou passista e meu sorriso é meu emblema
O que a arte me arrancou, ninguem entende
Sou palhaço e minha graça te prende
O que a arte me ensinou, ninguém muda
Sou do figurino e escolhi sua bermuda
O que a arte me ensinou, ninguém transforma
Sou do cenário e na sua vida, a reforma
O que a arte me ensinou, ninguém escuta
Sou musicista e meu instrumento é a luta
O que a arte me ensinou ninguém esconde
Sou maquiador e só mudança me responde.
"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." Clarice Lispector
quarta-feira, 27 de março de 2019
Se parar pra pensar nesses anos
Ilusões e arrependimentos
Gastei muito tempo nos planos
Andei aquecida nos ventos
Com o passar do tempo eu vi
O quanto escrever me alegra
Momentos que não esqueci
A partir do que o texto me entrega
Se hoje eu sei que perdi
Parte de um passado remoto
Arrependo-me se não escrevi
Leio para ver se, de fato, me importo
Antes de concordar que senti
Vou vivendo as novas circunstâncias
Relembrando escritas da vida
Aturdida em minhas inconstâncias
Sem registro serei esquecida.
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