“Nem sempre o primeiro amor é o primeiro namorado” essa frase era da minha avó. E concordo com ela. Em geral, o que chamamos de amor na adolescência é o florescer da libido e da paixão. A gente mete os pés pelas mãos. Faz barulho! Se fere e, as vezes, não percebe que feriu o outro também. A desordenada paixão pode gerar traumas, alegrias, frustrações, ansiedade. Sentimos absolutamente tudo o que existe no amor, em doses cavalares e calorosamente passageiras. É paixão que faz a gente se encantar por pessoas que não fazem sentido à longo prazo. Paixão a gente vive com intensidade... ainda que sejam 2, 3 beijos. Tem muito a ver com tesão e muito pouco a ver com afeto. Mas o amor, meu amigo... lida com outro assunto. Amor é sementinha que brota da paixão...mas que precisa de paciência e só cresce forte no respeito. Por isso alguns nunca amam, mas estão sempre apaixonados. É difícil amar pra quem quer tudo agora. É impossível amar quando você não se respeita, porque amor não se mantém em desrespeito e nossa maior escola está em nós mesmos. As relações mais sólidas de amor, são aquelas que os dois se descobrem aos poucos. Mesmo que demore séculos. Principalmente se demorar séculos. Pra quê a pressa? Até as sensações são descobertas pra quem ama: a mão... o toque... o beijo... uma pinta nas costas... o formato da orelha! Por isso que não lembramos com nitidez de quem nos apaixonamos. Mas fica tão clara a imagem do ser amado! O amor embaça o rosto das paixões. Nenhum outro rosto é real. A neblina torna difícil a tarefa de enxergar. Mas voltamos a encarar a existência das nossas antigas paixões, agora com piedade. Com carinho. O que feriu, já não dói. O que foi bom, nos parece pueril. E agradecemos a experiência vivida que nos permitiu hoje, finalmente, amar. Paixão é carreira solo mas amor só se faz com duas pessoas. Desconfie da frase: “eu amo, mas ela(e) não me ama!” Desconfie desse sentimento. Paixão engana, ilude e se enfeita com os aromas e adornos do amor. Mas amor que é amor, é sempre recíproco. O amor não permite desencontros. Para o amor, o agora é sempre a hora certa, o momento oportuno. Ninguém dá desculpas pra ele. Por mais que tente. Por mais que esteja com medo. Já que ele é grande e assustador! Mas o amor constrói um imã entre as pessoas que se amam. Que os impede constantemente de fugir, de terminar, de dar um tempo. Porque o amor não vê sentido na partida, mas se concentra na constante chegada. Quem se ama não precisa viver grudado pra sentir a presença do outro. Quem ama gosta de ficar só e fica feliz quando está acompanhado. Quem ama não faz planos individuais mas não deixa seus próprios sonhos. Porque o amor não permite anular os sonhos ou a pessoa amada. O amor multiplica os sonhos. Aumenta as expectativas na vida. Porque com o amor não se perde nada. Quem ama, de verdade, acredita que o amor basta. Aquele que não acredita na função curativa e criativa do amor, nunca amou. Compreende? O amor cura tudo o que o desamor corrompe. Só amor de verdade é capaz de cicatrizar cada ferida esquisita de dor mal doída que passou na nossa vida. Só amor limpa as cinzas e a poeira do terreno da nossa alma e o torna fértil de novo. Porque a paixão existe pra te lembrar do quanto a gente precisa de amor e o quanto é difícil encontrar. Por isso, devemos valorizá-lo. Paixão e carência são velhos conhecidos que bebem do mesmo vinho. Mas a carência não gosta muito do amor, porque o amor anda sempre muito bem acompanhado da autoestima e da paciência. Carência vive com ciúmes da paixão. É tóxica. É aquela antiga amiga de copo da paixão, que não se pode confiar. Porque carência só pensa nos prazeres da vida, mas não é feliz e vive levando paixão para caminhos equivocados. O amor é especialista em curar, mas a carência é teimosa e só reconhecerá o amor quando ouvir os saudáveis conselhos da autoestima. Se ame e reencontre a paixão, mas agora sadia e de mãos dadas com o amor!