Ciranda.
Seu olho é inexplicável, indizível.
De medo você sempre corre léguas
Nem sequer entende o inexprimível
Não preserva, não olha e nem dá tréguas.
Seus sonhos são quase todos meus
Ainda que minta na minha frente
Você não é santo e nem é Deus
Eu sei que no fim só eu fui crente
Você é estranho aos olhos alheios
Não perde o seu tempo com malicias
Controla nos dedos os meus seios
Evito sentir outras caricias
Prefiro manter os meus bloqueios
A sofrer por angústias fictícias
E ainda preservo firmemente
Esse mesmo carinho inconstante
De quem bate, apanha, mas não mente.
Ao olhar pr'um antigo amor, distante.
É sempre gostoso ver o espelho
Olhar, sorrir, mandar embora.
Não ouço, nem quero ouvir conselho.
A arte é sublime e me ignora
Então sinto de novo esse aparelho
Mas enfim, meu sorriso não mais chora.
O anel que tú me destes não valia um real
O amor que tú me tinhas era muito jovial.
Ciranda, cirandinha, é melhor não desgastar?
Olho para trás e digo: Tão gostoso gargalhar!
Eu pensei que acabaria, mas agora vem o fim
Onde você estiver, regue o sorriso de serafim.
E se você me encontrar deite seus olhos em cima de mim.
Ah, se tiver que acabar eu prefiro que seja assim.