Óh pedaço de Chico.
Óh metade afastada de mim
Me cativa na hora do caos
Me devora do meio pro fim
óh metade criada no Laos
Me ensina ser ásia ou menor
óh metade amputada do seu
Me perturba, e aperta o meu nó
Não espere de Édipo, tristeza
Nem tristão, sorrindo sendo só
Não encontre no Thor a nobreza
Nem beleza que se vê no Faraó
Óh metade inexplicada que me toma
Óh pedaço da história que não vivo
Óh vontade de atracar no cais que soma
Óh mediocre existir em tom passivo
Lava o vulto que sumiu
Que o Chico é o andar de um pássaro
Que aos poucos recebe o píncaro
E percebe que não caiu
Óh melhor tropicália
Óh cortar de navália
É sempre navália na carne
Óh nelson do escarne
Onde acho a tragédia?
Qual é a melhor história?
Com quem devo fazer média
Qual é o dono da memória
Shiva é braço pra "pôr" rédia
óh cleopatra das noites de glória
A saudade é o revés de um parto
Partir para quem não sabe.
É saudade, se trancar no quarto,
E falar do que não me cabe?
óh pedaço em putrefação
óh invisibilidade do eu
Em raspar, sem dó de Sansão
o cabelo que me ofereceu
Óh, Jesus, Maria e José
Óh Jácó, Buda e Maomé
Onde está a metade de mim?
O todo sem a parte é todo ou parte?
Perguntas a parte, prefiro sorrir.
Sorrir para ponderar.
Sorrir para pendurar.
Sorrir para perdurar.
Sorrir para ir
Só Ir.

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