Aprendi que nada é radical. Nem essa afirmação. Tem limite até para auto-ajuda. Nunca me considero conhecedora de algo, há sempre um ponto de vista a ser explorado. Ainda que profundo, ainda que difícil de acessar. A vida não tem fórmula mágica. O que funciona pra mim é diferente do que funciona para os outros. Mas é chato não poder ser bom. As pessoas desrespeitam as boas intenções. Como se um motivo egoísta para uma boa intenção o fizesse pior que uma má intenção pura e simples. Falso! O “inferno” está cheio é de más intenções. Parece inocente o que eu digo? Não é. Existem muito mais pessoas pra desqualificar uma boa conduta, que para questionar uma má. Isso porque as pessoas simplesmente não aceitam que as outras sejam leais, gentis, corretas, éticas. Enquanto alguns chamam fazer o óbvio de “politicamente correto” pejorativamente, outros arrumam cada dia mais formas de acusar de más, pessoas que se equivocam em mínimas atitudes, no intuito patético de ridicularizarem seus acertos. Isso é risível. “Acertar não está disponível no momento, senhor! Volte outra hora.” Será possível? Toda atitude certa em um ser humano que erra virou hipocrisia. Galera, é assim que funciona mesmo. Já estava no script. Ora! Uma pessoa pode fazer caridade e comer carne, sim. Que tipo de planilha fajuta é essa que a pessoa que procura fazer o bem, hoje em dia, precisa seguir? As falhas vão continuar, mas deixem o povo tentar ser bom do jeito que pode. Não me venha com essa história. Pra mim, isso é atraso. Cada dedo apontado para uma pessoa bem intencionada gera, no máximo, mais uma desistente! Quantas mais precisaremos perder para a patrulha do “inferno tá cheio”? Simplesmente sigo, com minhas próprias ideias. Mas sigo. Porque de ditadores do comportamento humano, sim, o inferno deve estar enfestado. Simplesmente pra que você desista de acertar.
"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." Clarice Lispector
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
O que dizer do amor se de amor não se diz. Acho inteligente isso de não dizê-lo! Mas é difícil pra mim, meu amor. Covardia. O meu amado me ensina a amar sem barulho, mas minha alma grita. A cada dia, a cada segundo, a cada beijo e abraço sedento por mais proteção. Sou inteira! Não é carência, não, coração. É excesso. Estou sentindo tudo. E seguro. Me seguro pra não falar o tempo todo, toda hora, todo dia, que te amo. Amo cada dia mais. Como uma rosa regada todo dia. Aos poucos. Com sede mas viva... bonita e viva... viva na medida... mas que quer mais água, ainda que morra afogada. E esse regador não se excede. Nunca. Nem por um segundo. Será zelo? É sempre a quantidade precisa, a medida certa para a sobrevivência. A água que rega, não inunda, não mata. Estou viva e recebo o suficiente para querer sempre. Nem uma gota a mais.
sábado, 5 de janeiro de 2019
De repente as coisas se apagam. Tudo vira cinza! O fogo queima a laringe, a fronte, o passado e tudo o que a gente foi. É tarde mas é cedo. Nove da noite, cedo ou tarde. O mundo permanece imóvel mas mutável. Reverbera o que parece ser, impera o que é. Estou só. Feliz e triste! Triste porque passou e feliz porque está começando. Sensação de nova fase faz isso com a gente. Revejo fotos antigas. Quem eu era já não é. Quem eu sou já não sei. Me passou o relógio! O rosto, o cabelo ainda jovens. Algumas marcas não muito aparentes. São 28. Retorno. De mim sou caule. Planta à florescer. Saturno se mantém firme, cobrando o que eu não soube dar. E afagando o que eu excedi em doação. Me afogando em minhas próprias lágrimas, rio triste. Sou um rio com muitos peixes. Transbordo renovação, amadurecimento e sou atravessada pela vida, a minha e as alheias, ainda que não queira. Já não me pertenço e nem controlo. É fluxo contínuo de “nada sei” para “nunca imaginei”. Mas sigo firme na busca de me encontrar em meus próprios pensamentos, mesmo que não saiba o que pensar deles. Dói não estar na primavera que foi boa e relembrar dos invernos que foram maus. Dói saber que virão novos verões e também outonos. Mas dói ainda mais se não vierem. Embora eu saiba que a vida não é só dor, saber e lembrar que dói é um conforto para a alma. Porque lembrar é bom pra quem gosta de saudade! E castiga sem pena quem só pensa no futuro. Sei que devo viver o agora, porque ele me pertence. Já não posso me dar ao luxo, como outrora, de me manter no futuro porque sei que esse mesmo futuro irá me castigar pela minha displicência com o presente, que um dia será passado. E já é, imagine só. Ando mais reflexiva por esses dias e é bom escrever. As letras nunca foram tão amigas. Ouvi que devemos honrar nosso verbo. Acho bonito “honrar”. Que belo verbo esse! Mas é aquele tipo de verbo que só se compreende com o tempo. Eu mesma, a essa hora, ainda não sei. Mas já consigo entender. Conforme for, vou caminhando meio a esmo mesmo. Com as cacofonias que me forem impostas. Sem saber ao certo porque ou pra que ir, ainda que eu acredite que à essa altura eu já devesse saber. Por isso que o tempo está bravo. Ou só cansado de mim mesmo, como eu dele. Amigo, vamos fazer as pazes?
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