sábado, 5 de janeiro de 2019

De repente as coisas se apagam. Tudo vira cinza! O fogo queima a laringe, a fronte, o passado e tudo o que a gente foi. É tarde mas é cedo. Nove da noite, cedo ou tarde. O mundo permanece imóvel mas mutável. Reverbera o que parece ser, impera o que é. Estou só. Feliz e triste! Triste porque passou e feliz porque está começando. Sensação de nova fase faz isso com a gente. Revejo fotos antigas. Quem eu era já não é. Quem eu sou já não sei. Me passou o relógio! O rosto, o cabelo ainda jovens. Algumas marcas não muito aparentes. São 28. Retorno. De mim sou caule. Planta à florescer. Saturno se mantém firme, cobrando o que eu não soube dar. E afagando o que eu excedi em doação. Me afogando em minhas próprias lágrimas, rio triste. Sou um rio com muitos peixes. Transbordo renovação, amadurecimento e sou atravessada pela vida, a minha e as alheias, ainda que não queira. Já não me pertenço e nem controlo. É fluxo contínuo de “nada sei” para “nunca imaginei”. Mas sigo firme na busca de me encontrar em meus próprios pensamentos, mesmo que não saiba o que pensar deles. Dói não estar na primavera que foi boa e relembrar dos invernos que foram maus. Dói saber que virão novos verões e também outonos. Mas dói ainda mais se não vierem. Embora eu saiba que a vida não é só dor, saber e lembrar que dói é um conforto para a alma. Porque lembrar é bom pra quem gosta de saudade! E castiga sem pena quem só pensa no futuro. Sei que devo viver o agora, porque ele me pertence. Já não posso me dar ao luxo, como outrora, de me manter no futuro porque sei que esse mesmo futuro irá me castigar pela minha displicência com o presente, que um dia será passado. E já é, imagine só. Ando mais reflexiva por esses dias e é bom escrever. As letras nunca foram tão amigas. Ouvi que devemos honrar nosso verbo. Acho bonito “honrar”. Que belo verbo esse! Mas é aquele tipo de verbo que só se compreende com o tempo. Eu mesma, a essa hora, ainda não sei. Mas já consigo entender. Conforme for, vou caminhando meio a esmo mesmo. Com as cacofonias que me forem impostas. Sem saber ao certo porque ou pra que ir, ainda que eu acredite que à essa altura eu já devesse saber. Por isso que o tempo está bravo. Ou só cansado de mim mesmo, como eu dele. Amigo, vamos fazer as pazes? 

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