O poeta é frigideira
Queima tão completamente
Que chega sentir ardor
Na fogueira da sua mente
O poeta é desalmado
Inventa muita besteira
Foi beber no feriado
E depois de tanta canseira
Vive a espirrar deitado
No carpete sem poeira
O poeta é um demente
Gosta de falar a esmo
E acompanha a água ardente
Com um prato de torresmo
O poeta é um diletante
E sempre gostou do ócio
Com seus livros na estante
Do solstício ao equinócio
O poeta é um vencedor
Perde tanto nessa vida
Que se vê superior
Por sofrer na despedida
O poeta é um vendedor
Vende tanta coisa inútil
Que faz parecer que é dor
O que na verdade é fútil
O poeta é um romântico
Mente insistentemente
E decorou um cântico
Pra demonstrar que sente.
O poeta é uma armadura
E quer ser inteligente
Pra mostrar que tem cultura
Cita poema existente
O poeta é um aprendiz
Mas também sofre calado
E nunca abandona o que diz
Na sexta-feira ou feriado
O poeta é um domador
Dos leões da sua alma
Se encontrou o grande amor
Precisa manter a calma
O poeta é instigante
Quase nunca o entendi
Feito pena flutuante
Cria histórias sobre si.
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