Soneto do Privilégio
Não percebo dentre os índios esse peso
Mas em tribo há mais horror que alicerce
O seu grupo socialmente prevalece?
Ou despiu-se, se calou, saiu ileso?
Pertencer a uma classe é privilégio
Ser em regra a exceção também é vício
O soneto então se torna um sacrifício
Revolver ao obscuro é sortilégio
E tão torta quanto à moura na beirada
A mulher só é ouvida quando há grito
Esquivando-se do ódio da discórdia
Repetindo ou se tornando uma prosódia
Não consegue se livrar daquele rito
Explodindo de entender sem saber nada.

Nenhum comentário:
Postar um comentário