sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Sendo.

Busco em mim mil coisas
Que usualmente acho e as vezes dispenso
Sofro por ver injurias
Mas quando levanto a voz o clima fica tenso

Sou um pouco de mim e um pouco de tudo
Acho errado se contradizer
As vezes há tanto a falar, fico mudo
Mas o fato é que eu nunca soube ser

Na arte sou o palhaço,
O bobo da corte do reino
Se me entendem eu disfarço
Disfaço na hora do treino

Por ser feliz não me levam a sério
Levo pesando nas costas o carma
Sorrir pra mim é um império
Mas para os outros é uma arma
É simbolo inexcrupuloso de adultério
Aos olhos do dominador que se alarma

Vivo com a sombrinha na mão
Esperando uma corda pra cair
Não sei viver sem comunhão
Nem me ensinaram a reagir

Sou o mais fácil de enganar
E ponho a mão no fogo sem medo
Por isso, vivo sempre a queimar
As mãos, os olhos, e o coração desde cedo

De tanta alma só tenho "sido"
Visão contrária a do Fernando
Por doer tanto, ter nascido
Sempre a questão  que vivo levando
" o que há de ocorrer comigo?"
A mesma solidão me esmagando.

Sou fadado ao desapego,
É dificil me suportar
Amo tudo e ninguém é isento
Mas é triste com tanto sossego,
Alguém querer me controlar
Viver no egoísmo de um ser ciumento
Proteger o outro, querer aconchego
E ainda assim precisar se anular?

É preciso
É necessário
É vizível
É arbitrário
É isso
É aquilo
É espetáculo
É calvário

Sou
Isso
É.

Nenhum comentário:

Postar um comentário